RESPM-20 anos
história Revista da ESPM | julho/agostode 2014 120 o número de beneficiados por programas compensató- rios é proporcionalmentemenor, já que a rendamédia é mais alta. Oatendimento às demandas sociais nos gran- des centros urbanos exige políticasmais complexas de expansão emelhoria da qualidade da oferta de serviços públicos. Complexas porque requerem maior planeja- mento, capacidade de execução de projetos, cooperação entre diferentes níveis de governo e competência de ges- tão emonitoramentodos serviços prestados. Complexas tambémporque lidamcomumcidadãomais exigente. É nas grandes cidades que primeiro vai se disseminando a autopercepção do indivíduo como pagador de impos- tos, que compara o que entrega ao Estado na forma de tributos, de um lado, e o que recebe de volta na forma de serviços públicos, de outro. Essa autopercepção se ampliouna esteirado aumentoda rendadosmais pobres e do número de trabalhadores com carteira assinada. O Brasil tem uma das mais altas cargas tributárias entre os países de renda média nomundo. Nos últimos 20 anos, ela passou de 25% para 35% do PIB. Grande parte dos recursos arrecadados é canalizada para pagar benefícios previdenciários e assistenciais, que vêm crescendo ininterruptamente. A tendência é que con- tinuem a crescer, à medida que a população brasileira envelhece e aumenta o número de aposentados e pen- sionistas. Quemmais sofre com isso é a capacidade de investimento do Estado brasileiro. A melhoria dos ser- viços públicos requer aumentá-la. Ao mesmo tempo, a alta carga tributária coloca limites à competitividade das empresas, ao crescimento da economia e, como já se nota, apesar do baixo nível atual de desemprego, à geração de novos postos de trabalho formal. Há uma correção a ser feita nas tendências de cresci- mento do gasto comprevidência e assistência, aumento da carga tributária e queda do investimentopúblico. Não apenas por razões econômicas, mas tambémpor razões sociais. Não basta ter mais renda, se a casa, ainda que própria, não tem esgoto e o trajeto de casa ao trabalho, Paramuitosmoradores das grandes cidades, o sonho da casa própria acabou virandoumpesadelo. Afinal, não basta termais renda, se a casanão temesgoto e o trajeto até o trabalho, ida e volta, toma horas todos os dias latinstock
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