RESPM-20 anos

mercado Revista da ESPM | julho/agostode 2014 128 Essa percepção obsoleta de como a economia deve funcionar ainda é, até certoponto, estimulada por gover- nantes que creemnas falsas (e já falidas) teses do impro- priamente chamado “socialismo” — que é oposto ao real sentido da palavra —, mas, infelizmente, ainda afeta nosso progresso econômico e verdadeiramente social. Marketing, então, na sua essência, é simples: ação no mercado. Equemagenomercado são, deumlado, empre- endedores, individuais ou institucionais, que procuram alcançar seus objetivos empresariais oferecendopropos- tas, bens ouserviços, quepossamser reconhecidos como algo de valor para compradores, também individuais ou institucionais, dispostos a pagar por sua aquisição. ODNA do marketing nunca mudou. Agir no mercado foi e é vital para as empresas que oferecem seus produ- tos ou serviços e para os compradores que buscam pro- dutos ou serviços para satisfazer as suas necessidades e desejos. O que evolui na ação de mercado são as formas de agir, as ferramentas da ação, resultantes da evolução continuada, algumas revolucionárias, da sociedade em que o processo ocorre. Marcos de uma longa evolução Uma “revolução” é vista comoumamudança radical num momentomuitodefinido,paraalgum“atoouefeitoderevo- lucionar(-se), derealizarousofrerumamudançasensível”, como aponta o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa . No entanto, revoluções não brotam sem que sejam profunda e longamente pensadas e elaboradas pelos “revolucionários”. Os movimentos de caráter social e econômico eclodem impelidos por alterações significa- tivas domacroambiente. Indivíduos que reconheçamo valor das mudanças costumam tomar iniciativas mar- cantes para o processo revolucionário em questão e se tornamosmais notáveis impulsionadores da ação. Vale ressaltar que comprar e vender, assimcomo outras for- mas de procurar satisfazer necessidades e desejos, como o plantio, a pesca, a caça, sempre foram usadas pelos humanos. Agir nomercado é inerente à nossa condição desde tempos imemoriais. A tirinha “Frank e Ernest”, de Bob Thaves, publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de S.Paulo , em junho de 2012, lembrou isso com humor: os dois personagens, caracterizados como nossos ancestrais do “tempo das cavernas”, segurando, um, uma pedra e, outro, umgalho de árvore. Cada umpensa, olhando o que o outro temna mão, “Queria ter uma pedra” e “Queria ter um galho”. O título da tirinha foi bem apropriado: “O nascimento da economiade livremercado”. Ao título, poderíamos acres- centar ainda: “e domarketing”. Nas civilizações clássicas, antes de a escrita e a leitura se tornarem comuns, lojas indicavam os bens que ven- diam com ilustrações atraentes, como aquele marketer açougueiro, emPompeia, que usouna fachada uma placa mostrandoapetitosaspernasdegado, eacaboucitadopor deSusannahHart e JohnMurphyno livro Brands — the new wealth creators (Interbrand, 1998). Entreos séculos 7a.C. e6a.C., naEtrúria, artesãos ven- diamvasos de olaria comatributos e funções diferencia- dos e os “assinavam” comcriativas “marcas” figurativas — os ancestrais do “ swoosh ”... Estas eram ações de mer- cado, queutilizavamnovas formasdepromover produtos e atrair compradores, como vierama ser osmercados ao ar livre, predecessores dos supermercados. A etimologia da língua inglesa revela que o termo market surgiu no século 12, para significar “ a meeting Entre os séculos 7 a.C. e 6 a.C., na Etrúria, artesãos vendiam vasos de olaria comatributos e funções diferenciados e os ”assinavam” comcriativas ”marcas” figurativas – os ancestrais dos famosos swooshs latinstock

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