RESPM-20 anos
julho/agostode2014| RevistadaESPM 137 A o refletir sobre a relação entre os jovens de 20 anos atrás e os de hoje, percebi que há, como é usual, uma tensão entre identidade e diferença. Seria fácil enumerar provas de quenadamudounesse intervalo, assimcomodeque vive- mos em outro mundo. De modo que me pareceu melhor não escolher os pontos que prevalecem, mas reconhecer essa tensão e procurar identificar alguns de seus veto- res. Procurei retratar algunsmarcos que nos trouxessem àmente o universo jovemde 1994. Optei por apontar três deles: filmes de referência, a expressão política e a rela- ção coma internet. Evoco a lembrança de dois filmes emblemáticos de 1994: Pulp Fiction ( Tempo de violência ), de Quentin Taran- tino, e Forrest Gump ( O contador de histórias ), de Robert Zemeckis. Ambos foram sucessos comerciais e, quando olhados emconjunto e emretrospectiva, retratos de uma época. Tarantino evocou umgênero de literatura descar- tável e a violência exacerbada, tornada banal. Zemeckis criou um herói curioso: tendo participado de grandes eventos históricos dos EstadosUnidos e intensos dramas pessoais, Gump é uma personagem relativamente tola e não afetiva. Sua inteligência, umpouco abaixo damédia, e aparente superficialidade se tornaram o ideal da cha- mada “Geração Prozac”. Vivíamos desde os anos de 1980 o nascimento de uma tendência exacerbada hoje: a hipermedicalização da vida comum. Ambos os filmes se encontram na dimen- são do entorpecimento ante os excessos da experiência contemporânea. Cenas dos filmes PulpFiction (à esquerda) e BlingRing (abaixo) retratamo comportamento, o pensamento, os valores e as atitudes dos jovens de 1994 e da geração atual latinstock
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