RESPM-20 anos
Sociedade Revista da ESPM | julho/agostode 2014 140 É evidente a dinâmica de identidade e diferença estabelecida entre aqueles eventos e as manifestações de rua que seguem em curso no país, desde junho do ano passado. Periodicamente, jovens voltam às ruas para protestar contra a ordem vigente, no elemento de transgressão que praticamente define a adolescência. Mas precisamos reconhecer que as manifestações de rua, em especial as de 2013, apontam para algo ainda indefinido e distinto. Os jovens manifestantes recu- saram toda bandeira político-partidária. Foi descon- certante ver as organizações que nas últimas décadas lideravam as manifestações populares serem repudia- das, sem que outras se configurassem. Há um impor- tante elemento difuso que manteve o movimento informe. Isso parece derivar tanto do fato de a mobi- lização ser disparada pelas redes sociais quanto pelo fato mais grave: o de uma visível crise nos sistemas de representatividade. Nossa tentação será chamar de alienados ou per- didos àqueles que não concordem conosco e a quem simplesmente não sejamos capazes de compreender. Mas penso que seja preciso reconhecer que existe algo se movendo fora de nossos paradigmas. Parte impor- tante da geração jovem atual é ativa, inovadora, mobi- lizada e capaz. E ainda não aprendemos a falar com ela. Eu arriscaria dizer que o jovem de hoje é mais ativo politicamente que há 20 anos, mas ele não se Em1992, os jovens forampara as ruas pedir o impeachment do presidente Collor e entrarampara a história do país como os ”caras-pintadas”, que reeditaram omovimento pelas eleições diretas, dez anos antes latinstock
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