RESPM-20 anos
julho/agostode2014| RevistadaESPM 141 percebe representado pelas instâncias existentes. Há uma crise importante de representatividade que se expressa na mobilização desses jovens, em opo- sição ao relativo desinteresse às eleições. Enquanto isso, nosso precioso Estado democrático anda como que cindido do mundo jovem. Em 2014, as manifestações em torno da Copa do Mundo tiveram um aspecto mais organizado e liga- das a movimentos mais tradicionais. Mas, numa direção diferente, no início do ano assistimos ao fenômeno dos “rolezinhos” em shoppings. Todos os que tentaram analisá-los perceberam sua conotação política, mas os próprios jovens envolvidos pareciam sobretudo querer ostentar sua existência, cujo estatuto social foi adquirido pelo acesso ao consumo. Trata-se de ação política, mesmo sem plena consciência ou intenção a respeito. Já me referi à questão da passagem ao ato, no final do item anterior. Aqui, ele avança com a compreen- são de que ela se dá justamente quando há uma crise nos sistemas representativos. O que não pode ser dito ou representado estoura e se expressa em ação. Se podemos considerar que o jovem de hoje é tão alie- nado quanto o de 20 anos atrás, uma vez que nem um nem outro são filiados a partidos políticos ou inte- ressados em ingressar na vida pública, penso haver hoje um potencial difuso em busca de vias de expres- são, que por enquanto não tem centro e é mobilizado pelas redes sociais. Em2013, jovensmanifestantes voltarama invadir as ruas comomovimentoPasse Livre, que acaboudando origema umamobilizaçãonacional por uma série de reivindicações, cobrandouma sociedademais justa latinstock
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