RESPM-20 anos
entrevista | dalton pastore junior Revista da ESPM | julho/agostode 2014 150 Alexandre — O que mudou, de mais fundamental, na propaganda nos últi- mos 20 anos? Dalton — Antigamente, nós falá- vamos e o consumidor escutava. A mensagem tinha só um canal. Da mídia para o consumidor, o espec- tador, o leitor. O canal de volta era extremamente precário. Para esta- belecer um contato com a empresa, você tinha de mandar uma carta ou telefonar. Era uma voz solitária. A internet deu voz ao consumidor. Criou uma maneira de ele se organi- zar e ser uma voz relevante. Esta foi a mudança mais impactante. Alexandre — Em 1994, quando a Re- vista da ESPM surgiu, a internet era pouco mais que uma promessa. Era uma novidade da qual ninguém sabia exatamente o potencial. Hoje não há um grupo de comunicação que não tenha uma agência digital ou parceria com uma, que não pense campanhas on-line e off-line. Qual o peso da re- volução tecnológica na evolução da publicidade e do marketing? Dalton — Sem medo de ser acusado de não aceitar mudanças, afirmo que a internet é um meio de comu- nicação excepcional, um meio de comércio excepcional, algo absolu- tamente revolucionário, inimaginá- vel, mas não é uma boa mídia para levar uma mensagem ao consumi- dor. Os formatos de anúncio na in- ternet são precários e primários. O banner é o pré-comercial. Como na época em que não existia o comer- cial de TV e, na frente da câmera, vi- nha um sujeito e colocava letreiros com uma mensagem. Alexandre — Talvez o correto seja dizer que ela não é uma boa mídia até o momento, não? Dalton — Talvez. É possível que se descubra uma forma de explorar a internet como mídia. Veja que não estou reduzindo a importância da internet. Ela foi a mais fenomenal e fantástica revolução que o mundo da comunicação sofreu. Ela deu voz para a massa e para o consumidor, proporcionou coisas inimagináveis. Ninguém estava preparado para ta- manha revolução. Ela só não é uma boa forma de mídia para levar uma mensagem. Até hoje, não criamos nenhuma marca na internet. Não criamos nenhuma preferência de venda na internet. Os próprios meios da web se utilizam da mídia conven- cional para se divulgarem. Até hoje são anunciantes importantes. A in- ternet é uma anunciante importante da mídia tradicional. Se olharmos para 2002, os principais anunciantes da TV brasileira eram sites. Alexandre — Há uma macrotendên- cia ligada a essa questão: a transição da mídia de massa para as mídias de nichos, ainda que os nichos sejam gi- gantes em alguns casos. Em que ponto dessa trajetória estamos? A internet é ummeio excepcional de comunicação e de comércio, algo absolutamente revolucionário, inimaginável, mas não é uma boamídia para levar umamensagemao consumidor À frente da CarilloPastore EuroRSCG, o publicitárioDaltonPastore Junior desenvolveu cases de sucesso quemarcaramépoca, como a campanha Faz um21, da Embratel, estreladana década de 1990 por AnaPaulaArósio divulgação
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