RESPM-20 anos
entrevista | dalton pastore junior Revista da ESPM | julho/agostode 2014 152 Dalton — Além da internet, houve outro fenômeno nas últimas duas décadas: a desconcentração da mí- dia tradicional. Há 20 anos, você tinha quatro ou cinco emissoras de TV de canal aberto. Hoje você tem 300, 400. Nos Estados Unidos, são 600 canais de TV a cabo. Houve uma descentralização enorme da mídia. Mesmo nós, do Brasil, que somos o último país onde há uma TV aberta com esse nível de pene- tração e de qualidade, não temos mais que 90 pontos de audiência. Há 20 anos, nós tínhamos capítulos de novela com 97 pontos de audiência. Isso não existe mais. Quando você fala hoje em 25 pontos, está falan- do numa grande audiência. Tem um monte de televisores ligados em canais a cabo, em Netflix, nas AppleTVs da vida, onde você paga uma assinatura e tem acesso a bi- lhões de conteúdos na hora em que quiser. Você já não tem mais nem a necessidade de ficar procurando no cabo. Você tem canais de notícias 24 horas no ar. O mesmo acontece com esportes. Você já tem canais especí- ficos de basquete, de golfe etc. Alexandre — Você representa bem a mídia de massa quando lembra de um capítulo de novela que atraía 97% das pessoas com a TV ligada. E a mídia de nichos quando fala de um canal de golfe ou de basquete. Dalton — Essas duas coisas irão conviver por muitos e muitos anos ainda. Primeiro, porque existe um hábito, no Brasil, de ligar a televisão na Globo e deixar lá o dia inteiro. Nos Estados Unidos, de deixar li- gada na ABC ou na NBC. Segundo, porque a televisão está baseada em ummodelo de relaxamento. Alexandre — Como assim relaxa- mento? Dalton — Durante alguma parte da sua vida, você só quer ver o que está passando. Não quer ter a preocupação de ficar procurando, escolhendo. Isso vale para outras mídias. O meio revista vai continu- ar existindo. Alexandre — Outra tendência inte- ressante é a especialização crescente das empresas dos chamados serviços de comunicação. Penso, por exemplo, na Corpora, empresa que você e seus sócios criaram no ano passado, fo- cada especificamente em reputação corporativa. Uma empresa assim faria sentido há 20 anos? Dalton — Ela é resultado de outra coisa, que não é especialização. É resultado de uma relação mais madura que as pessoas têm com as empresas e as empresas têm com as pessoas. Havia empresas B2B (Busi- ness to Business) e B2C (Business to Consumers). Nós acreditamos que, hoje, a empresa tem de ser também B2S, ou seja, Business to Society. A sociedade está de olho nas empre- Qual é a sua razão de existir?Oque você está dando para a sociedade emtroca da riqueza que está gerando?Emtroca da energia que está usando? Asociedade está exigindo essas respostas DaltonPastore comos principais líderes da indústria da comunicação durante oVCongresso. Realizado emmaio de 2012, o encontro produziuumconjunto de práticas visando fortalecer a liberdade de expressão comercial noBrasil divulgação
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