RESPM-20 anos

entrevista | dalton pastore junior Revista da ESPM | julho/agostode 2014 156 mundo ia rir, brincar e pronto. Eu cansei de fazer comercial com gago, com careca, com gordo, com sogra. Hoje não se pode mais fazer isso. Alexandre — Qual tem sido o papel do Fórum Permanente da Indústria da Comunicação em questões assim? Dalton — Quando começamos a or- ganizar o IV Congresso de Publici- dade, começamos a perceber, dentro da Abap, que seria preciso discutir questões que não eram tipicamente de publicidade. As agências de publi- cidade estavam fazendo promoção, agências de internet estavam fazendo mídia off-line, agências de eventos es- tavam fazendo mídia. Começou a ter uma mistura, e percebemos que não dava mais para fazer um congresso de publicidade exclusivamente. Aí, eu convidei a participar do debate, dentro da Abap, as entidades das agências on-line, de promoção, de eventos. Nós montamos o IV Con- gresso já com a colaboração de 16 entidades. Uma das propostas foi a criação de um fórum que reunisse essas entidades para discutir as grandes questões da comunicação. Não questões específicas, mas as grandes questões. Alexandre — O.k., mas para que vem servindo o Fórum? Dalton — O ForCom, na verdade, tem dois objetivos. O primeiro é manter a união do que chamamos de indústria da comunicação. O segundo objetivo é discutir grandes questões que envolvem a indústria da comunicação. Nos últimos anos, essas questões estiveram sempre ligadas à liberdade de expressão. Alexandre — Hoje, a liberdade de expressão está assegurada no Brasil? Dalton — Vamos falar da liberdade de expressão comercial primeiro. Ela está garantida na Constituição. Só tem quatro categorias de produ- tos para as quais se aceitam restri- ções para anunciar: tabaco, defen- sivos agrícolas, armas e munições e bebidas alcoólicas. Para o resto todo, não existe restrição. Alexandre — Tramitam hoje no Le- gislativo, contudo, mais de 180 pro- jetos de lei que tentam, de alguma forma, impedir a divulgação e a pro- moção de produtos e serviços no mer- cado. Apesar da Constituição. Dalton — Eu não vejo isso como uma ameaça. O Congresso Nacional é o fó- rumadequado para discutir essas coi- sas. Se alguém quer discutir alguma coisa e esse alguém consegue juntar assinaturas suficientes para colocar o assunto em discussão, acho abso- lutamente legítimo e democrático. Problema zero. É para isso que existe o Congresso. Para discutir tudo. Tem de discutir e rediscutir o tempo todo. Isso faz parte do processo democrá- tico. O Congresso Nacional tem, sim, maturidade para discutir os temas. Eu não sei de nenhum projeto de lei que tenha sido aprovado nos últimos Estamos apreensivos. Vemos o que está acontecendo emoutros países, vemos que tudo começou como está começando noBrasil e vemos a enorme proximidade ideológica doBrasil comtais países Pastore foi umdos idealizadores doVCongressoBrasileiro da Indústria da Comunicação, que tratouda liberdade de expressão. Recentemente, ele voltou a abordar o assunto como vice-presidente daRepública, Michel Temer marçal neto

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