RESPM-20 anos

Economia Revista da ESPM | julho/agostode 2014 58 Noperíodoque antecedeuoPlanoReal haviaumcená- rio de hiperinflação, que gerava um comportamento defensivo do consumidor. A compra domês era a princi- pal forma de abastecimento, garantindo omelhor preço possível antes que o salário recebido perdesse seu valor. Com a redução nos repasses de preço, as compras de reposição ganharam força. Além de o consumidor rea- lizar compras de maior volume em alguns momentos de abastecimento, ele passa a ir mais vezes ao ponto de venda para repor itens que não levou em grande quan- tidade na primeira visita. Essasmudanças geraramdiversos impactos positivos nomercadodeconsumo. Acompetitividade foi ampliada, tanto no varejo quanto na indústria, commais opções de estabelecimentos e de produtos para os brasileiros. Um exemplo é a evolução de novos formatos de lojas, como as farmácias, estabelecimentos de apelo premium que concentrambons preços emalgumas categorias de destino e passama ser visitadas commais frequência. A ascensão de produtos premiumsegue esse aumento de competitividade, commais lançamentos por parte dos fabricantes, buscando entregar valor agregado para um consumidor cada vez mais exigente. Comamudança no cenário de inflação vista em2013, algumas tendências positivas encontradas nas últimas décadas passaram por uma desaceleração. O principal destaque em crescimento nas categorias acompanha- das pela Nielsen no último ano foi justamente o grupo de marcas low price , que custam até 10% menos que a média de suas categorias. A decisão pela troca de marcas é uma das últimas opções buscadas pelo consumidor, mostrando que há realmente um cenário atual de maior dificuldade no orçamento. Antes de tomar a decisão pela troca de marcas, o consumidor busca um maior planejamento da renda, comcorte de gastos emenos ocasiões de con- sumo. A troca demarcas vira opção quando ele escolhe economizar em determinada categoria e não encontra na suamarca preferida uma embalagemque condiz com o gasto planejado. Apesar das condições de emprego e renda permane- cerempositivas, a expectativa é a de que o consumidor mantenha essa tendência. O nível de endividamento continua elevado após o acesso facilitado ao crédito nos últimos anos e o que sobra do orçamento para ser alocado no abastecimento do lar segue sofrendo comos repasses de preço realizados no início de 2014. Considerandoqueasclassesmaisbaixas foramasprin- cipais responsáveispor impulsionar oconsumonacional nos últimos anos e que umconsumidor de classeCaloca emmédia30%dasuarendanoabastecimentodolar,omer- cado só deve retomar níveis expressivos de crescimento quando os preços estiveremnovamente controlados. Até lá, os consumidores devem seguir buscando a melhor relação de custo-benefício nomomento da com- pra para que não precisem abrir mão dos produtos aos quais já estão habituados. Enquanto essa for a realidade, os fabricantes e varejistas que entregarem a melhor equação de qualidade e preço serão mais bem-sucedi- dos em suas vendas. José Fraga Analista de mercado da Nielsen Brasil o consumidor faz escolhas para manter o bem-estar adquirido Diversifica canais busca por custo benefício Reduz volume RACIONA A COMPRA reduz o consumo fora do lar E serviços supérfluos Troca por marcas mais baratas trade down Tamanhos de embalagens opções de desembolso Reduz idas ao ponto de venda COMPRA DO MÊS

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