RESPM-20 anos

entrevista | Philip Kotler Revista da ESPM | julho/agostode 2014 78 Paulo Sérgio — O senhor costuma dizer que a função de diretor de marke- ting foi criada na GE e na IBM e, atu- almente, é exercida por aproximada- mente 16 mil profissionais nos Estados Unidos. “Infelizmente, eles duram uns dois anos em média no cargo. Ainda assim, alguns conseguem permanecer entre oito e dez anos na mesma com- panhia.” Hoje, como está o ritmo dessa verdadeira “dança das cadeiras” que ocorre no segmento e até que ponto essa prática é prejudicial para a marca e para a própria organização? Philip Kotler — O estudo mais re- cente feito nesta área mostra que, nos Estados Unidos, o diretor de marketing está durando mais tempo no cargo, por volta de quatro anos. Uma das mais talentosas, a meu ver, é a Beth Comstock, que foi diretora de marketing da GE por nove anos. Com o baixo ritmo de crescimento da economia mundial, há uma cons- cientização maior sobre a necessi- dade de um marketing forte para a empresa conseguir crescer mais. Quando digo marketing forte, não estou falando da aposta pesada em promoções [no marketing “push”]. Isso é pensar apenas em um dos 4 Ps. Marketing forte significa garantir que toda a equipe esteja envolvida na busca de novas oportunidades, na definição do produto ou serviço final, na precificação do resultado e na sugestão de ideias de estratégia. Anna Gabriela — Nos últimos 20 anos, a economia mundial também passou por grandes mudanças, tor- nando insuficientes os organismos criados em Bretton Woods. Ocorre- ram várias crises, inclusive a grande crise de 2008, que foi semelhante à de 1929. Muitos acreditam que essas crises são endêmicas no sistema capi- talista e que o estímulo ao consumo e à posse de bens é uma de suas causas principais. Naturalmente, isto coloca em xeque as grandes empresas multi- nacionais e as estratégias de marke- ting das quais se utilizam. Como o senhor encara esta questão? Philip Kotler — Estou para lançar um livro intitulado Reconsidering capitalism: strengths, shortcomings and solutions [na tradução literal, Reconsiderando o capitalismo: van- tagens, problemas e soluções], que aceita o capitalismo como o melhor sistema econômico, mas enumera 14 problemas a serem solucionados. Alguns exemplos: o capitalismo não leva a sério nem enfrenta a questão da pobreza; o capitalismo tende a ignorar a saúde do meio ambiente; o capitalismo parece propenso a ci- clos; o capitalismo tende a produzir altos níveis de desigualdade de ren- da e riqueza etc. Nessa obra, dedico um capítulo a cada um dos proble- mas do capitalismo. Quanto aos al- tos e baixos do capitalismo, minha resposta é a de que seria possível diminuir a ocorrência de crises com um uso mais eficaz de mecanismos fiscais e monetários pelos gover- nos. Economistas do poder público deveriam ser capazes de detectar fatores inflacionários ou excessos especulativos e contê-los antes que causem estrago. O problema é que Na era doMarketing 3.0, a Timberland fez uma campanha para reduzir o desperdício e a poluição. Agora, todos os seus parceiros precisamcumprir elevados padrões ambientais e aplicar omesmo critério a seus fornecedores Estou para lançar o livro Reconsidering capitalism: strengths, shortcomings and solutions , que aceita o capitalismo como omelhor sistema econômico, mas enumera 14 problemas a seremsolucionados latinstock

RkJQdWJsaXNoZXIy NDQ1MTcx