RESPM-SET_OUT-2015-baixa
Revista da ESPM | setembro/outubrode 2015 42 mercado Por outro lado, aqueles que problematizam a intensi- ficação do fenômeno das CGVs apontam que as empre- sas líderes das cadeias, quase sempre situadas em paí- ses desenvolvidos, conseguem, pormeio do domínio que possuem de recursos críticos com marca e tecnologia, apropriar a fatia do Leão do valor gerado nas cadeias. Segundo os defensores dessa posição, essas empresas líderes permitem, e até ajudam, a melhorar os proces- sos produtivos de seus fornecedores. Mas não facilitam a incorporação de conhecimentos e competências por parte desses fornecedores, que permitiriam a eles che- garemperto dos consumidores finais. No caso dos produtores de granito do Brasil, por exemplo, as empresas brasileiras deixaram de expor- tar apenas blocos brutos para vender ao exterior cha- pas polidas e resinadas. A transformação dos blo- cos em chapas passa por um processo de fabricação intensivo que requer capital e conhecimento. Nesse processo, o valor que elas auferem por tonelada de produto exportado foi multiplicado por três ou quatro. Tal transformação foi analisada por Maria Laura Fer- ranty MacLennan, aluna do programa de pós-gradu- ação em gestão internacional da ESPM (PMDGI) e por mim, no artigo Exports and upgrading: evidences from a cluster in Brazil , que foi publicado no International Journal of Business and Emering Markets , no início de 2015. Apesar da evolução, os produtores brasileiros de granito ainda não conseguem exportar os tampos de pia e os ladrilhos para pisos e fachadas para grandes obras, pois isso requer o contato direto com arquitetos e outros especificadores de materiais a serem usados nas obras. O estabelecimento desse contato direto, além de demandar investimentos vultosos, colocaria as empresas brasileiras em competição direta com os distribuidores e atacadistas das chapas, dos quais hoje elas dependem para suas vendas no exterior. Retomemos o caso do café quando exportado. Cerca de 60% do valor são apropriados por atacadistas, fábri- cas e varejistas dos países desenvolvidos em que o pro- duto é consumido. Cerca de 4% ficam com as empresas de transporte marítimo e de seguros. A parcela que cabe aos países produtores não alcança 40% do preço do café que é vendido em supermercados e lojas. Se Apolítica industrial nãoprecisa escolher vencedores. Poderia tentarmelhorar o desempenhodas indústrias já ligadas coma economia global O% 1O% 2O% 3O% 4O% 5O% 6O% LUX SGP SVK IRL TWN KOR HUN CZE PHL MYS MLT VNM ISL LTU NLD BEL THA SVN KHM FIN SWE EST CHN PRT BGR DNK AUT ISR MEX HKG CHE POL DEU LVA FRA ROU GRC IND TU R ES P IT A CA N CH L NZ L GB R ZA F NO R JP N ID N AU S AR G BR N US A BR A RUS SAU 2009 1995 Conteúdo importado das exportações brutas (%) Fonte: OCDE-OMC. Banco de Dados do Comércio Internacional emValor Agregado (disponível emhttp://www.oecd.org/sti/ind/ TIVA%20flyer%20FINAL.pdf)
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