RESPM-SET_OUT-2015-baixa

Revista da ESPM | setembro/outubrode 2015 44 mercado Devemos também reconhecer que o setor privado brasileiro já demonstrou a sua capacidade para lide- rar cadeias globais de valor, em vez de simplesmente participar delas. Os dois exemplos mais expressivos que nos ocorrem são os da Embraer (que coordena uma das maiores cadeias de valor do setor aeronáuticomun- dial) e das grandes construtoras do Brasil — que hoje infelizmente estão sendo afetadas por acusações de corrupção, mas lideram cadeias de valor de dezenas de bilhões de dólares, em que o conhecimento e a tec- nologia são principalmente dos brasileiros. Como tirar proveito do fenômeno das CGVs? A convite da Confederação Nacional da Indústria (CNI), TimothySturgeon (doMIT), GaryGereffi (daDukeUniver- sity) e outros dos principais pesquisadores sobre o tema estudaram três setores da economia nacional: o aeroes- pacial, o de equipamentos médicos e o de eletrônicos. De todas as conclusões e recomendações feitas a partir desse estudo, omitimos as conhecidas de todos, como o impacto do custo Brasil, e relacionamos as principais: 1. Alguns objetivos de desenvolvimento do Brasil podem ser irrealistas. Os esforços do país em estimular indús- trias nacionais completas, integradas verticalmente, em vez de promover agressivamente a especialização orientada para a exportação, parecem irrealistas. Os objetivos com relação ao segmento eletrônico, em par- ticular, adotam visão centrada na manufatura. A escala do mercado doméstico não parece justificar investimen- tos em todos os departamentos de determinado setor. O foco na manufatura tira a atenção de alguns dos seg- mentos mais dinâmicos e rentáveis da CGV, tais como pesquisa e desenvolvimento e serviços de engenharia e integração de sistemas — áreas nas quais o Brasil pode- ria desenvolver especializações competitivas. 2. A política de substituição das importações deveria ser mais flexível. A política industrial do país está em grande parte focada na substituição de importações, quando deveria considerar os segmentos de alto valor agregado nos quais o país pode ser competitivo globalmente. As políticas de substituição de importação, às vezes, são extremamente Brasil Índia Taiwan Malásia Coreia do Sul Mundo Economias industrializadas Estados Unidos 60 50 40 30 20 10 3 2 3 7 30 55 52 32 31 16 27 37 17 22 27 14 0 2009 2009 Participação na indústria de transformação dos setores de material e equipamentos eletrônicos – de 2000 a 2009 (%) Fonte: Arendt, M. (2014). A industrialização do Brasil ante a nova divisão internacional do trabalho . In: A. B. Calixtre, A. M. Biancarelli & M. A. M. Cintra (Eds.), Presente e futuro do desenvolvimento brasileiro (Ipea)

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