RESPM-SET_OUT-2015-baixa

setembro/outubrode 2015| RevistadaESPM 47 Nãodevemos fecharasportas Por Alexandre Teixeira Foto: Divulgação S oraya Saavedra Rosar é gerente executiva da Unidade de Negociações Internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Dessa posição, sustenta há anos que o Brasil temde intensificar a busca por acordos tarifários comas economias mais dinâ- micas do mundo, caso queira alavancar sua participação de 1% nos fluxos globais de comércio. A crise econômica que o país atravessa, observa ela, traz oculta uma possibilidade de aumento das exportações — por conta da desvalorização do real e da queda da demanda interna, que leva o empresariado nacional a buscar mercados lá fora. De fato, a balança acumula superá- vit deUS$7,3 bilhões no ano. Osaldomais que dobrou emagosto, devido à retraçãonas importa- ções. As indústrias locais temem, todavia, a agressividade daChina. ACNI diz que a competição no comérciomundial ficarámais acirrada comos estímulos do governo chinês às exportações. As disputas comasiáticos já acarretaramperdas demercado para empresas brasileiras. Hoje, 24% das indústrias nacionais exportam, ante 35% em 2006. Para Soraya, convém reverter essa marcha a ré. “Como esta crise é demais longo prazo, quemfor buscar omercado externo deveria ir já pensando em balancear a sua produção”, nota ela. “Para uma empresa que já tem 60% da produção voltada aomercado interno e 40% ao externo, émais simples inverter essa proporção.” Quando se altera o foco da conjuntura para os problemas estruturais, a realidade torna-se ainda mais complexa. “Nós não estamos inseridos, infelizmente, nas cadeias globais de valor. Há as exceções de sempre, umnichoououtro,mas, demodo geral, estamos longe disso”, diz. O desafio é conseguir uma melhor competitividade para o produto brasileiro no mundo — e com urgência. “Quanto mais tempo ficarmos de fora, mais difícil vai ser entrar nas cadeias de valor”, adverte Soraya. Como ajuste fiscal emcurso, as possibilidades de diminuir a carga tribu- tária e outros itens do custo Brasil neste ano e no próximo sãomínimas. Dada essa limitação, o melhor a fazer, alémde investir na melhoria da logística no país, é negociar agora cada possível acordo tarifário com retornos positivos na próxima década. Daí o apelo de Soraya a que não se feche nenhuma porta. Vale perseguir acordos bilaterais, regionais e multilaterais. “Temos de negociar nos diferentes níveis aomesmo tempo”, diz ela.

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