RESPM-SET_OUT-2015-baixa

setembro/outubrode 2015| RevistadaESPM 49 acabou, de certo modo, dificultan- do tal inserção. Revista da ESPM — Você diz isso porque os países asiáticos optaram pela especialização? Soraya — Não só pela especializa- ção, mas também pela determina- ção de buscar mercados externos. De entrar nos mercados internacio- nais de uma maneira muito mais de- cidida do que a nossa. Haja vista os acordos todos que foram assinados ou estão sendo negociados na região Ásia-Pacífico. Revista da ESPM — A grande exce- ção, sempre citada, é a Embraer. Os anos vão passando e ela continua sen- do um dos pouquíssimos exemplos de empresa brasileira capaz de organizar uma cadeia global de valor em torno de si. Por que não conseguimos fazer isso outras vezes? Soraya — Essa não é uma especia- lidade minha, mas acho que a Em- braer foi um case muito bem-suce- dido de investimento em educação e tecnologia. O polo criado em São José dos Campos (SP), já nos anos 1970, gerou tal mobilização. Tudo foi criado de maneira a proporcionar o fortalecimento daquele núcleo. É um grande exemplo de empresa interna- cionalizada, com tecnologia própria, mas que também compra tecnologia do mundo inteiro. O comércio é uma via de mão dupla. A empresa vai buscar peças da melhor qualidade pelo melhor preço e se especializar naquilo que agrega valor às peças, a engenharia. Isso a Embraer fez mui- to bem. É um case muito especial. Revista da ESPM — Curioso é esse exemplo não ser replicado por outras empresas. Os outros setores não con- seguiram criar um núcleo de excelên- cia comparável ao da Embraer... Soraya — Foi criado um cluster , em São José dos Campos, com políticas muito claras de suporte à universi- dade, ao ITA [Instituto Tecnológico de Aeronáutica] especificamente. Os governos da época [a fundação da Embraer ocorreu em 1950] plane- jaram a criação desse tipo de indús- tria no Brasil e depois a iniciativa privada levou o sucesso adiante. Sem sombra de dúvida, esse é um case de sucesso. Revista da ESPM — Sobre a questão dos acordos tarifários, eu li um estudo bastante contundente que a CNI pu- blicou recentemente, mostrando que, das grandes economias mundiais, o Brasil é uma das que menos têm acordos aduaneiros e participação no comércio global. Soraya — Temos um mercado inter- no forte e uma política que, há mais de 50 anos, apoia a diversificação da produção no país. Nós não optamos por uma especialização, e sim por diversificar a indústria. Isso é um ponto forte por um lado. Você cria independência em relação ao resto do mundo. Só que você não pode ser competitivo em tudo. Isso não existe. As tentativas de produzir to- dos os tipos de bens, internamente, acabaram batendo de frente com a tendência do mercado, nos últimos 20 anos, que foi a de buscar melhor preço e qualidade no mundo todo. Empaíses asiáticos o custo damão de obra é bemmenor que noBrasil.Mesmo comtodo o esforço das empresas para exportar, perdemos emcompetitividade shutterstock

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