RESPM-SET_OUT-2015-baixa
setembro/outubrode 2015| RevistadaESPM 53 Essas normas, pelo volume de co- mércio envolvido, vão passar a ser normas do comércio internacional. Um país como o Brasil, que ficou de fora da negociação, vai acabar ten- do de seguir um pacote de normas que não teve chance nenhuma de influenciar. Revista da ESPM — O mesmo vale para o acordo Estados Unidos-União Europeia? Soraya — Vale. Além disso, tem o problema do agribusiness, que é onde somos competitivos. A Europa e os Estados Unidos, que são grandes produtores agrícolas, vão acertar entre si, em detrimento dos países que estão fora. Isso vai afetar muito a questão do agribusiness no Brasil. Revista da ESPM — Para ser com- petitivo no mundo, o Brasil precisa de gente que consiga reunir conheci- mento e tecnologia, precisa de mar- cas respeitadas no exterior e precisa de capacidade de inovar. É possível mencionar setores ou empresas que se destaquem nessas três dimensões? Soraya — Sim, com certeza, mas eu não saberia dizer de cabeça, porque não é uma área que eu acompanhe especificamente. Tem havido esfor- ços grandes para trazer para o Brasil centros ou laboratórios de inovação de companhias estrangeiras, como a GE, no Rio, que criou um grande laboratório coma UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro], na Ilha do Fundão, justamente para ligar a academia com a indústria. É um centro de inovação em tecnologia. A IBM, por sua vez, tem um laboratório de desenvolvimento de software na cidade de Hortolândia, na região de Campinas. Revista da ESPM — Apesar dos mega-acordos bilaterais, ainda vale apostar na OMC, certo? Soraya — Isso seria o ideal para o Brasil. Porque lá você faz diferentes alianças. Para um país em desen- volvimento, é melhor estar acom- panhado de outros parceiros para discutir temas que às vezes estão muito além do seu estágio atual, seja industrial, seja agrícola etc. Revista da ESPM — Uma última questão, para a gente tentar terminar em um tom ligeiramente otimista: qual seria o caminho mais rápido e mais seguro para aumentar a pre- sença brasileira no comércio interna- cional e nas cadeias globais de valor, apesar das questões que discutimos? Soraya — Não devemos fechar as por- tas. Temos de negociar nos diferentes níveis ao mesmo tempo. Se houver oportunidade de acordo bilateral com determinado país, vamos conversar e tentar negociar. Se houver regional, idem. Se houver multilateral, tam- bém. Não vamos deixar de lado opor- tunidades de ampliar mercados. In- ternamente, no curto prazo, por conta do ajuste fiscal, não há como avançar muito na questão da desoneração tributária, mas temtoda uma parte de logística que, se melhorar um pouco, já vai dar um impacto enorme empro- dutos brasileiros. Talvez a logística no Brasil seja a área com potencial para dar impactomais rápido. AEuropa e os EstadosUnidos, que são grandes produtores agrícolas, vão acertar acordos entre si. Isso vai afetar a questão do agribusiness noBrasil shutterstock
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