RESPM-SET_OUT-2015-baixa
Revista da ESPM | setembro/outubrode 2015 56 Benchmark A aviação é um dos principais vetores das mudanças que a humanidade tem viven- ciado nos últimos cem anos — não apenas por realizar oantigo sonhohumanode voar, mas por todoo seu impactoemtermos econômicos,mili- tares e de integração entre culturas e nações. Fabricar as aeronaves que possibilitam esse movi- mentonão é algo trivial. Aindahoje, sãopoucos os países que detêmdomínio do ciclo tecnológico completo dessa indústria, comsuaextensacadeiaprodutivadeagregação de valor e tecnologia. Exportadora por natureza, a indús- tria aeronáutica é naturalmente globalizada e extrema- mente competitiva. A realidade do setor aeronáutico, emâmbitomundial, exigeprodutos de tecnologiadepontapara que as empre- sas possamsemanter competitivas e gerando empregos. Poucosfornecedoresemtodoomundoestãoaptosaprover muitosdos sistemas, componentesepeçascomasespeci- ficaçõesnecessáriaspara taisprodutos, oque fazcomque tambémas cadeias sejamconcentradas — e globalizadas. Em síntese, para qualquer fabricante nessa cadeia de valor, desde umfornecedor das centenas demilhares de peças e partes que compõemumavião ao original equip- ment manufacturer (OEM) — líder da cadeia que domina todo o processo de concepção e fabricação de uma aero- nave, ser global é requisito para a sobrevivência. AEmbraer domina todo o ciclo, desde a concepção do projeto, desenvolvimento de engenharia, certificação e suporte à operação de aeronavesmodernas e inovadoras para osmercados de aviação comercial, executiva e solu- ções integradas de defesa e segurança. Hoje, a empresa é a terceiramaior fabricantede jatos comerciaisdomundo, possui o mais moderno portfólio de jatos executivos — incluindoomodelomais vendidodomundo, nos últimos dois anos, o Phenom300 — e lidera projetos importantes na área de defesa e segurança, tais como o desenvolvi- mento do jato de transportemilitar tático KC-390, o Sis- tema IntegradodeMonitoramentodeFronteiras (Sisfron) e a integração dos sistemas do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação Brasileiro (SGDC). Mas não teria havido uma Embraer no Brasil se ela não tivesse sido precedida da obra visionária do coronel CasimiroMontenegroFilho, ao criar oCentroTécnicode Aeronáutica (CTA), hojeDepartamento deCiência e Tec- nologiaAeroespacial (DCTA), nofinal dadécadade 1940, e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em1950. Ambos foram sementes de um audacioso plano para o desenvolvimento de um domínio de conhecimento no país que geraria ciência, tecnologia e, finalmente, consequências industriais e comerciais. Foi no ITA que se formaram as sucessivas turmas de engenheiros que conduziram os programas experimentais de aeronaves doCTAnas décadas de 1950 e 1960. Dentre os vários pro- gramas experimentais de desenvolvimento de aerona- ves que tiveram início nos laboratórios, o turboélice de transportemilitar Bandeirante, projetado em1965, foi o que deu origem à necessidade de produção em série e à constituição da Embraer. A indústria aeronáutica tornou-se, assim, um dos melhores exemplos brasileiros de projetos estratégicos de Estado a serem bem-sucedidos. Por sua capacidade de inovação em materiais, produtos, processos e ges- tão, essa atividade de alto conteúdo tecnológico e valor agregado contribui para fortalecer competências, criar empregos qualificados, desenvolver conhecimentos e gerar exportações comexpressivos saldos comerciais, além de contribuir para assegurar a soberania nacio- nal. Atualmente, a empresa é a maior exportadora de produtos de alto valor agregado do Brasil, país histo- ricamente exportador de commodities. AEmbraer é a terceiramaior fabricante de jatos comerciais domundo e possui omaismoderno portfólio de jatos executivos – incluindo omodelomais vendidonos últimos dois anos, oPhenom300
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