RESPM-SET_OUT-2015-baixa
Revista da ESPM | setembro/outubrode 2015 58 Benchmark pacotes tecnológicos) e envolvimento dos fornecedores no desenvolvimento de subsistemas, para que a Embraer pudesse focar sua atuação nas atividades de concepção e integraçãodos subsistemas e coordenaçãoda rede global de fornecedores. Para reduzir a base de fornecedores diretos, passou-se a privilegiar encomendas de subconjuntos de peças, em vez de comprar partes e componentes separadamente e ter demontá-los por conta própria. Com isso, simplifica- se a logística, reduz-seoespaçonecessáriode estocagem, reduz-seotempoparamontagemfinaleentregadosaviões e permite-se ao fabricante focar no seu próprio negócio. Alémda subcontratação, outra estratégia fundamen- tal adotada pela Embraer a partir do ERJ 145 — e que se tornaria paradigma do mercado — é o modelo de parce- rias de risco. Trata-se, basicamente, de envolver os for- necedores críticos desde a etapa de desenvolvimentodos projetos, fazendo-os assumir coma Embraer os investi- mentos, riscos e lucros de umnovo produto. Afora as óbvias vantagens do risco financeiro com- partilhado, essas parcerias mostraram-se também um mecanismo para complementar as atividades de pes- quisa e desenvolvimento. O ambiente de cooperação no desenvolvimento contribui para que cada empresa compartilhe sua especialidade, extraindo o melhor da capacidade de todos os envolvidos. A inovação passa a ser resultado do trabalho conjunto de toda a rede. Emvirtudedocasode sucessocoma famíliadeaerona- vesERJ145,aEmbraeréconsideradaprecursoradosistema de parcerias de risco, modelo que passou a ser adotado pelas demais companhias emprogramasmais recentes. Ao mesmo tempo, historicamente, a parceria com a Embraermotivou alguns dos seus principais fornecedo- res internacionais a se instalarem no Brasil, trazendo empregos e divisas para o país. Conscientedoseupapel de integradorae líder dacadeia de valor, aEmbraer sempre buscou aumentar a participa- ção dos fornecedores locais e inserir a cadeia produtiva nacional em seus projetos — não por força de imposição ou reserva de mercado, uma vez que, se a cadeia nacio- nal não fosse competitiva empreço e qualidade, poderia inviabilizar os produtos da empresa no cenário global, mas contribuindo para qualificar cada vez mais a rede de fornecedores instalada no Brasil. UmexemplodissoéoProgramadeDesenvolvimentode Fornecedores (PDF) oferecidogratuitamenteàsmaisde70 empresasfornecedorasdaEmbraernoBrasil,comoobjetivo de fortalecer a cadeia e torná-la mais competitiva. O PDF atua sobrequatropilares: atendimento, custos, qualidade eeliminaçãodedesperdícios, pormeiodametodologiade produção “enxuta” ( lean manufacturing ), e dos conceitos kaizen (melhoria contínua). Desde que foi implementado, em2011, o programa já ofereceu, aproximadamente, qua- tromil horasde treinamentoparamaisde2,7mil pessoas. Osucessoda iniciativaserviucomo inspiraçãoparaum novo projeto de âmbito nacional: o Programa de Desen- volvimento da Cadeia Aeronáutica (PDCA) criado pela AgênciaBrasileiradeDesenvolvimento Industrial (ABDI), como objetivode promover a sustentabilidade dos forne- cedores nacionais, para estimular empresas brasileiras a se integraremao setor e a incrementar a competitividade das pequenas e médias empresas que já atuam no seg- mento. A ideia é a de que, no futuro, mais competitivos e focados eminovação, tais fornecedores possamcompetir nomercado global aeronáutico ou de outros segmentos. A iniciativa é desenvolvida pela Embraer, empresa líder da cadeia, em parceria com o Centro para Inova- ção eCompetitividade doCone Leste Paulista (Cecompi). Os dois programas têm em comum o estímulo à apli- cação dos modelos de excelência em qualidade da Fun- dação Nacional da Qualidade (FNQ), o apoio ao desen- volvimento produtivo e à gestão estratégica. TodooconhecimentoacumuladopelaEmbraer nopro- cesso de desenvolvimento de produtos foi utilizado na criação do jatomilitar de transporte e reabastecimento emvooKC-390. Trata-se domaior emais complexo avião já projetado e desenvolvidonoBrasil. As parcerias indus- triais, anunciadas em2011, incluírama empresa argen- tina FAdeA, que fabrica os spoilers (superfícies móveis de controle de sustentação na asa), as portas do trem de pouso do nariz, a porta da rampa, as carenagens dos flapes , o cone de cauda e o armário eletrônico. AOGMA e a EEA, de Portugal, fornecemos painéis da fuselagem AEmbraer sempre buscou aumentar a participação dos fornecedores locais e inserir a cadeia produtiva nacional emseus projetos globais
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