RESPM JUL_AGO 2016
mercado de trabalho Revista da ESPM | julho/agostode 2016 46 Construir relações de ganha-ganha comtodos os envolvidos nonegócio – clientes, fornecedores, colaboradores e sociedade – é umcaminho semvolta O mercado de trabalho está mudando. E não é apenas por influência da atual crise eco- nômica. O rápido avanço da tecnologia tem permitido o surgimento de novos negócios, que exigem uma postura diferenciada de profissionais e empresas embusca da sobrevivência nesse mercado. Estamos vivendo ummomento de transição, no qual os padrões da Revolução Industrial — linear, compar- timentado, especializado, lógico e centralizado — coe- xistem com os da Revolução Digital — não linear, frag- mentado, multidisciplinar, sistêmico e distribuído. Por isso, ao mesmo tempo que os modelos de negócios são desafiados diariamente pelo surgimento de novas tec- nologias, os modelos de gestão tradicionais ainda pre- valecem nas organizações. E, apesar de a perspectiva desse cenário se manter ainda durante algum tempo, é fundamental olhar para as mudanças que estão em curso e observar o quanto se está preparado para elas. Para apoiar as organizações nesse exercício, a área de inovação da Cia de Talentos, empresa do grupo DMRH, realizou umprofundo estudo. Identificamos as tendên- cias do futuro do trabalho, que compartilho a seguir, junto com reflexões para líderes e gestores de RH, que têm papel decisivo como norteadores da postura a ser adotada pelas empresas diante das mudanças. Organizamos essas tendências em seis vertentes. Certamente, amaioria das pessoas já sente pelomenos uma delas se estabelecendo em seu dia a dia de traba- lho, mas acredito que observá-las dessa forma seja como usar uma bússola para nos orientar por caminhos ainda desconhecidos. Caminhos adaptativos A realidade do mercado muda na mesma velocidade que a tecnologia avança. E é preciso responder rapida- mente a essasmudanças. Isso exige que as pessoas tra- balhemde forma mais autônoma e descentralizada, se desafieme busquem respostas, sem recorrer ao chefe a todo momento. Mas emquemedida oRHpode colaborar para aumen- tar a capacidade de adaptação da organização? Será que a cultura organizacional está suficientemente fortale- cida para garantir que os colaboradores tomemdecisões alinhadas comela? Emquemedida os profissionais têm autonomia? Os líderes incentivama equipe a desenvol- ver essa autonomia? Que alternativas à hierarquia tra- dicional teriammais aderência ao negócio e à cultura? Para sempre beta Aúnicamaneiradeacompanhar avelocidadedasmudan- ças é aceitar que nunca estaremos 100%prontos. Se você ficarmuito tempo elaborando uma ideia ou umconceito e não colocá-lo em prática até estar perfeito, a chance de alguém lançá-lo antes é grande. Nesse contexto, as pessoas precisam arriscar pôr as suas ideias emprática. Encarar o erro como parte de um processo de aperfeiçoamento contínuo. Compreender quenunca se chega à versãofinal e acabada, porque sem- pre é possível melhorar. Mas quando foi a última vez que se testaram novas ideias? Onde, no RH e na empresa, seria possível criar espaços de experimentação de novas práticas com res- ponsabilidade? De que forma a área estimula o desen- volvimento de espaços de experimentação na empresa, os profissionais a inovarem e as lideranças a trabalha- rem a tolerância ao erro? Carreiras, faça você mesmo No futuro, as configurações de trabalho serão muito diferentes. As empresas precisam estar preparadas para atrair a geração de youtubers , que desde cedo cria e põe em prática seus próprios projetos. Serão profis- sionais pouco dispostos a enfrentar longas jornadas, porque estarão envolvidos em diferentes atividades. As pessoas não terão uma carreira e uma pós-carreira. Terão diversas carreiras ao longo da vida e atuarão em diferentes frentes. E, então, as lideranças e o RH têm se preocupado em oferecer novos desafios para os colaboradores? Têm olhadopara asnecessidades individuais de cada talento? Será que é hora de parar de pensar emretenção e experi- mentarmodelos de contrataçãodiferentes?Sua empresa já pensou em oferecer projetos desafiadores em vez de vagas de emprego?
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