RESPM JUL_AGO 2016
educação Revista da ESPM | julho/agostode 2016 50 F az mais de cem anos que os Estados Unidos lideram o ranking de maior economia do pla- neta. O domínio norte-americano começou entre os anos de 1870 e 1900, logo após o país ter sido devastado pelaGuerraCivil (1861-1865). Enãohá sinais de que esse quadro venha a mudar em um futuro próximo, já que seria preciso somar todo o PIB da China (segundo maior do mundo), do Japão (terceiro) e da Ale- manha (quarto) para fazer frente aos Estados Unidos. No ano passado, o Brasil foi a oitava maior economia domundo, comumPIB de US$ 1,9 trilhão. Já os Estados Unidos, comUS$18,1 trilhões, produzirampraticamente dez vezesmais do que nós, brasileiros. Onde está a resposta para tão gigantesca diferença? Éinteressanteeintriganteobservarqueexistemmuitas semelhançasentreosdoispaíses.Nóseelesfomosdescober- tosnamesmaépoca,1500e1492,respectivamente.Ambos temos áreas territoriais semelhantes: os Estados Unidos (incluindooAlaska) contamcom9,8milhõesdequilôme- trosquadradosenóscom8,5milhõesdequilômetrosqua- drados. Semcontar que anatureza foimais generosa com oBrasil, paísquenunca foi atingidopor furacões, ciclones, terremotos, tsunamis ounevascas, que tanto castigaram e continuamcastigando os EstadosUnidos. Volta a questão: por que diferença tão dramática? Os Estados Unidos se beneficiaram da descoberta de óleo, carvão eminério de ferro. Nadamuito diferente do que ocorreu comoBrasil. Nossaprimeira concessãopara exploração de petróleo é de 1864. Descobrimos o carvão noRioGrande do Sul antes de 1860. Opróprio Padre José de Anchieta, que chegou ao Brasil em1553, reportou em uma de suas cartas ao rei de Portugal sobre as nossas riquezasminerais, emespecial o ferro. Talvez a diferença fundamental entre os dois países esteja na educação. Logo após a Guerra Civil, com a abolição, os Estados Unidos entenderam que o fim da mão de obra escrava traria um inevitável crescimento da mecanização, e esta, para ser eficiente, iria demandar uma grande variedade e quantidade de técnicos, operadores e geren- tes. Uma conclusão óbvia, à qual supõe-se que outros governantes também tenham chegado sem nenhuma dificuldade. Mas os americanos, provavelmente mais do que outros povos e, certamente, mais do que nós, se dedicaram com afinco a criar uma série de escolas de engenharia, administração, industrialização, finan- ças e comércio. Émais doqueprovável que essa volumosa capacitação tenha impulsionado a economia e gerado lastro para o desenvolvimento de novas tecnologias. NosEstadosUnidos, cercade 20,2 milhões de pessoas estão agora cursando faculdade, númeroquase 25% acimado observadohá apenas 15 anos Paraestudar emStanford, o interessadodeverá desembolsarU$46mil por ano
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