RESPM JUL_AGO 2016

entrevista | Adriana Assis Revista da ESPM | julho/agostode 2016 62 Revista da ESPM — De que forma a crise econômica impactou o cumprimen- to das metas desse projeto? Adriana — Considerando que es- tamos enfrentando uma crise sem precedentes, dar continuidade a esse projeto é algo quase heroico. O plano foi estruturado no início deste ano, após a mudança do CEO da compa- nhia, ocorrida em novembro de 2015. Então, começamos o projeto agora, no meio da crise e com a empresa enxu- ta. Eu, por exemplo, reduzi em 46% o tamanho do departamento de RH em face das reestruturações necessárias para enfrentar a crise. A partir daí, muito do que talvez eu pudesse fazer internamente precisei buscar fora. Há um ano, eu contava com uma gerente de desenvolvimento de RH que cuida- va de todos esses projetos de captação e desenvolvimento. Hoje, eu consigo desenhar o escopo do projeto, mas preciso de apoio para recheá-lo. Revista da ESPM — E o que faz com que esse equilíbrio entre trabalho interno e consultoria externa sejamantido? Adriana — O cobertor está curto para todo mundo, porque nós redu- zimos em média 40% o headcount de toda a empresa e passamos a fazer mais com menos. Um dos desafios de contratarmos consultoria é o fato de termos de provar o valor agregado que ela pode vir a nos proporcionar. Aqui, o investimento em consultoria precisa ser justificado e só é aprovado internamente se apresentar um real potencial de retorno. Revista da ESPM — Que tipo de con- sultoria você costuma contratar? Adriana — Trabalhamos com três tipos de consultoria: a consultoria que contrato pela expertise. Brinco que esse é o consultor Você S.A., que vempara dentro da empresa tocar um projeto junto comaminha equipe. Em oposição a esse modelo, existe outro tipo de consultoria que faz tudo do lado de fora da companhia. É o caso das agências de executive search , para as quais eu passo o briefing do perfil do profissional que desejo contratar e elas me apresentam as opções. E, entre os dois extremos, estão as con- sultorias de expertise, que trabalham com algum nível de detalhamento de informação que precisamnos acessar para concluir o trabalho. Revista da ESPM — Com base nesse tipo de divisão, como deve ser a rela- ção para que o trabalho de consultoria funcione conforme o planejado? Adriana — O segredo está em ter um bom briefing, como tudo na vida. É você saber aonde quer chegar, que tipo de metodologia a consultoria pode oferecer e quais os possíveis caminhos a serem seguidos. Quando essa primeira fase é concluída com certo nível de detalhes, o resultado é sempre positivo. Mas isso toma um certo tempo. Eu, por exemplo, chamei uma consultoria porque tínhamos o objetivo de avaliar a viabilidade de implantação de um shared service , um centro de serviço compartilhado. Em conjunto com a consultoria, chega- mos a fazer o diagnóstico de implan- tação. Mas ao compararmos o nível de adição de valor versus o custo desse projeto versus o momento da compa- nhia, optamos por revisar os proces- sos internos e não implantar o shared service center . A conclusão foi que nós conseguiríamos adicionar eficácia e produtividade ao grupo a partir do redesenho de processos. Esse tipo de diagnóstico só é possível quando você estabelece uma relação de confiança a ponto de o consultor dizer que não haverá ganho ao implantar deter- minado projeto. Se contrato uma consultoria mais engessada, que vem aqui só para implantar um processo, eu corro o risco de investir em algo que não daria o resultado esperado. Consultoria é, acima de tudo, uma oportunidade de trabalhar a cultura e o comportamento da organização. Esse diagnóstico do shared service , por exemplo, durou 45 dias, mas deu origema umprojeto que vai me ajudar amudar a cultura da organização. Revista da ESPM — Como você quali- fica o resultado de uma consultoria? Adriana — Quanto melhor o briefing, mais precisa é a entrega. Se pudes- se classificar as entregas em um ranking, eu diria que o retorno dos nossos projetos de consultoria estão acima de 80% em relação à nossa pró- Ao contratar uma consultoria, eupreciso fazer followup e acompanhar as entregas. Osegredo é ser diligente. Consultoria é caro e, paradar resultado, é preciso fazer gestão!

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