RESPM ABR_MAI_JUN 2017

abril/maio/junhode 2017| RevistadaESPM 29 Instrução (todos) 2004 2014 2015 Sem instrução 24 19 18 Fundamental incompleto ou equivalente 41 33 33 Fundamental completo ou equivalente 8 8 9 Médio incompleto ou equivalente 6 6 6 Médio completo ou equivalente 14 20 21 Superior incompleto ou equivalente 3 4 4 Superior completo 4 9 9 Instrução (pessoas de 15 a 35 anos) 2004 2014 2015 2015-2004 Pessoas de 15 a 17 anos com ensino fundamental completo 53% 66% 68% + 15 pp Pessoas de 18 a 21 anos com ensino médio completo 39% 54% 56% + 17 pp Pessoas de 22 a 35 anos com ensino superior completo 9% 15% 17% + 8 pp Fonte: PesquisaNacional por Amostra de Domicílios (PNAD 2015) - IBGE essa classificação foi possível criar um cenário ideali- zado para a classemédia, emque podíamos esperar um aumento de viagens internacionais e compra de auto- móveis novos, pois estávamos falando de um grupo commaior poder de compra e não necessariamente da classe C. Parecia que tínhamos indivíduos de classe C “mais ricos” e o país continuava pobre. Com isso, criou- se uma visãomuitomais otimista da realidade servindo a objetivos políticos. Para analisar as informações contidas em pesqui- sas realizadas pelo IBGE (Pnad), adotamos um critério baseado na renda domiciliar para estratificar as famí- lias, porém com a preocupação de que a nossa classe C fosse um estrato que representasse a média brasileira. Tomando como base as informações da Pnad de 2004, os domicílios com renda familiar abaixo de dois salá- rios mínimos (até R$ 520,00) foram classificados no estrato D/E e os domicílios que representavam os 20% mais ricos foramclassificados no estrato A/B (acima de R$ 1.700,00). Consequentemente, o estratoC é represen- tado por famílias com renda domiciliar entre R$ 520 e R$ 1.700 em 2004. Para comparação com 2014 e 2015, as faixas de renda foram inflacionadas de acordo com o INPC acumulado no período de 2004 a 2014 e 2004 a 2015. Dessemodo, podemos entender sehouveumganho real na renda familiar que contribui para a mobilidade entre as classes. Os dados revelamquehouvemobilidade entreos estra- tos, ou seja, ocorreu um ganho real de renda no Brasil, possibilitandoumaumentodopoder aquisitivodas famí- lias. Comparandoadistribuiçãonas classes entreos anos de 2004 e 2014, temos que 16% das famílias migraram do estrato D/E para o C e 11% passaramdo C para o A/B. Diante dessa migração, o estrato A/B cresceu mais que o C. Em2015, emvirtude de forte retração da economia, amobilidade social positiva sofre retrocesso; 2% voltam para o estrato D/E e 2% para o C. Apesar de a mobilidade social ser inquestionável, ainda existe forte concentração de renda nas classes A e B. As famílias 20% mais ricas detêm 52% do total dos rendimentos do país, enquanto os 20%mais pobres representam 5% desse mesmo montante. Em 2004, o cenário não era muito diferente. Em vez de 52%, os 20%mais ricos representavam 58% da riqueza do país. Neste sentido, ainda temos que caminhar muito para atingir níveis aceitáveis de distribuição de renda. Diante do cenário de grande expectativa no aumento dopoder aquisitivodas famílias, houve umamaior oferta de crédito e financiamento, o que fomentou o consumo de bens e serviços no Brasil. Hoje os lares brasileiros estão muito mais bem equipados com itens que permi- temmelhorar a qualidade de vida das pessoas. Para as futuras gerações, esse conforto será objeto de desejo e, por isso, de difícil exclusão de suas vidas.

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