Revista da ESPM
REVISTA DA ESPM | JULHO/AGOSTO/SETEMBRODE 2018 54 Novogoverno, novaeducação?Talvez! Não são computadores, tablets ou internet de banda larga que irão resolver os problemas do nosso ensino. Nada contra o uso de tecnologia, pelo contrário. Contudo, o que fará a diferença é um “feijão comarroz” bem-feito. Aprender a pensar é a grande meta! Por Claudio deMouraCastro EDUCAÇÃO O que podemos imaginar que vai acontecer com a educação no próximo governo? Eis o tema do presente ensaio. Oproblema não é falta de dinheiro. Vivemos pormais de uma década sob a crença de que se conserta a nossa educação jogando dinheiro nela. Felizmente — ou infe- lizmente — a realidade contradiz esta teoria. O assunto é complexo e os números são eloquentes. • 1. Vários países, gastando menos (per capita) que o Brasil, conseguem resultados melhores. Por exemplo: China, Chile e Uruguai. • 2. Entre estados brasileiros não há correlação en- tre os gastos por aluno e pontuação na Prova Brasil. Alguns dos mais fracos são os que mais gastam. Em contraste, outros no topo da pirâmide têm custos modestos. • 3. Nosso Ensino Médio triplicou seus gastos per ca- pita e quase nada de positivo aconteceu. A matrícula não cresceu e o nível de aprendizado, na melhor das hipóteses, estagnou. • 4. Municípios de desempenho excepcional, como So- bral (CE), gastam o mesmo que outros com resultados catastróficos. Não se pode oferecer educação sem gastar dinheiro. Mas, para melhorá-la, é preciso gastar bem. Que isso nós não fazemos, já dizia Mário Henrique Simonsen, na década de 1970. Na verdade, além desta, não há muitas afirmativas simples e peremptórias para o papel do dinheiro na ges- tão de um sistema escolar. Mas alguma coisa sabemos. Aumentos lineares de salários, sabidamente, não melhoram o aprendizado dos alunos. Não obstante, por razões políticas, são sistematicamente praticados. Se há recursos, é possível inventar novos programas, bons emaus. Capes e CNPq receberamgenerosa expan- são de seus orçamentos para pesquisa e pós-graduação, usando-os bastante bem. Em contraste, o Ciência Sem Fronteiras mobilizou um orçamento vultoso, também para uma boa causa. Sem tais recursos, não sairia do papel. Mas foi arruinado pela tentativa de andar mais depressa do que é possível emumprograma deste tipo. As universidades federais apresentam custos por aluno equivalentes à média dos países europeus, sem resultados equivalentes. Formas disfuncionais de gover- nança, rigidez orçamentária e a falta de estímulos para gastar bem provocam as crises financeiras frequente- mente observadas, apesar de expansões vultosas nas suas dotações financeiras. Paga-se o salário de quem produz pouco e não cumpre os horários, ao mesmo tempoque faltamrecursosmínimos para amanutenção.
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