Revista da ESPM

JULHO/AGOSTO/SETEMBRODE 2018| REVISTADAESPM 57 divulgação O programa Ciência SemFronteirasmobilizou um orçamento vultoso, mas foi arruinado pela tentativa de andar mais depressa do que o possível Talvez exagerando, o que precisamos é de uma escola pouco diferente daquela que bons educado- res conceberam, faz um século. Nem é novidadeira e nem cai no atoleiro da memorização. E não é muito diferente das melhores escolas americanas ou euro- peias de ontem ou de hoje. Muda pouco a receita ado- tada pelas excelentes escolas. O filósofo A. Whitehead já dizia, ao início do século 20, que o que quer que se estude, que seja com profun- didade. O aprendizado que interessa não é decorar uma coleção de fatos e datas, mas ir a fundo nos princípios e teorias. Só assim aprendemos a pensar com rigor. Ler corretamente é fundamental. Entender é um desafio para a vida toda. Escrever bem é uma compe- tência que não perderá vigência. Usar números, tam- pouco. Pensar analiticamente é o cerne de qualquer boa educação. Há tambémque adquirir umbom reper- tório acerca do mundo em que vivemos. Em última análise, habituar a resolver problemas e a decifrar a realidade corretamente. Para quemdominou esta base, o resto será fácil. Usar as maquininhas ou criar com elas não foi um desafio intransponível para os grandes empreendedores do mundomoderno. De fato, grande parte dos imperadores da alta tecnologia não chegou a receber uma preparação formal emciência da computação ou programação. Em vez disso, matriculados em universidades de primeira linha,mergulharamnas humanidades. Bill Gates eMark Zuckerberg saíram de Harvard sem cursar disciplinas técnicas. Steve Jobs tinha perfil semelhante. Com a cabeça feita, aprende-se o que vai chegando. Nonosso caso, a grandeprioridade é ter uma educação básica de qualidade, oferecida e aproveitada por quase todos. Aprender a pensar é a grandemeta. O resto é apli- cação desse talento que não está nem um pouquinho ameaçado pelas novidades. É claro, temos segmentos da economia entrando na Manufatura 4.0 e, esperemos, serão cada vezmais subs- tanciais. Para tripular esses novos setores é preciso for- mar gente como perfil exigido. Mas isso não parece ser um grande escolho à nossa frente. Nossa pós-gradua- ção é sólida e instituições como o Senai estão trilhando esses caminhos. A escolha dos dirigentes Quantos suíços saberão o nome do seuministro da Edu- cação? Pouco importa. Sai um e entra o próximo, sem grandes trepidações. O giroscópio gerencial está ins- talado e lubrificado. As coisas acontecem, sem sustos, dependendo pouco do ministro de plantão.

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