Revista da ESPM

EDUCAÇÃO REVISTA DA ESPM | JULHO/AGOSTO/SETEMBRODE 2018 58 Não é assim em países de institucionalização frágil e cujaeducaçãoépericlitante.Nestes, eaqui nos incluímos, hágrandesmudançasàesperadosdirigentes.Hábatalhas fulminantes e santas cruzadas que se alongamno tempo. Sendo assim, a figura dos titulares é crítica. Se há espe- rançasdequefaçamoserviçoexigido,oministrotemdeser umpersonagemdeprimeira linhaecomrespaldodapresi- dência. Suaescolha temdeser vistacomo tãocríticacomo o da Fazenda ou o da presidência do Banco Central. Paulo RenatodeSouzaestavaporentrarnaFazenda,masacabou na Educação. Infelizmente, nos períodos subsequentes, a pastadaEducaçãofoimoedadetroca,tudodependendodo peso político e pouco importando a competência. Compa- re-seo seudesempenhocomode seus sucessores! Omesmo se pode dizer dos secretários de Educação, sejammunicipais, sejamestaduais. De fato, nãopodemos separar os grandes sucessos de alguns estados e muni- cípios da forte liderança dos seus secretários, agindo sempre em dobradinha com prefeitos e governadores. Municípios bem-sucedidos são exemplos eloquentes do papel destacado de quem está no topo da pirâmide. A fragilidade política de muitos secretários e a sua inexpressividade como líderes explicam o pouco que acontece emseu território. Mas, não por acaso, as esco- lhas de secretários de pouca expressão refletema baixa prioridade que alguns prefeitos e governadores atri- buem à educação. No limite, não querem secretários que impeçam o uso das verbas educativas nas secre- tarias de obras — que trazemmais votos. No caso dos diretores de escolas, temos uma equação comnuances diferentes. Contudo, nãoémenos robustoo eloentredesempenhoeafiguradodirigente.Talvezatéseja mais forte. Como sediz, a escola tema carado seudiretor. Durantemuitotempo,lamentava-seaescolhapolíticados diretores de escola. Emgrandemedida, o sistema foi subs- tituído por eleições, emque os professores têmtotal prota- gonismonaescolha. Contudo, quantomaispassao tempo, mais se tema impressãodequeosistemanovoébempior. De fato, politizou-se o processo de escolha, no pior sentido da palavra. Os partidos sãomobilizados e invo- cados nas eleições. Os vencedores tomam posse, já fragilizados pelos compromissos de campanha e pela radicalização dos grupos envolvidos nas escolhas. Antes, o diretor devia favores a um só político, talvez até ausente. Hoje, os deve a grupos aguerridos, planta- dos dentro da própria escola. Aseregistrar,oautornãopropõeavoltadovelhosistema de escolha. De fato, já temos boas experiências comalter- nativasbemmais eficazes, envolvendoetapas intermedi- árias e programas de preparação dos futuros dirigentes. Em suma, estamos em uma fase de institucionaliza- ção da educação em que dependemos muito da figura dos seus dirigentes. É deles que vêm as iniciativas de transformação — ou a sua ausência. A equação da mudança Podemos pensar nas reformas educativas comoumcabo de guerra. Alguns contendores puxamdeumlado, outros do outro. A corda desliza a favor dos gruposmais fortes, Segundo previsões cataclísmicas, osmercados de trabalho serão destroçados e haverá dramáticas transformações nas competências requeridas george rudy / shutterstock . com Oaprendizado que interessa não é decorar uma coleção de fatos e datas, mas ir a fundo nos princípios e teorias. Só assimaprendemos a pensar!

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