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Gorilla - a ontogênese de um Grand Prix 100 R E V I S T A D A E S P M – SETEMBRO / OUTUBRO DE 2008 Mas, vamos a uma rápida descrição. Ao iniciar, o comercial mostra um fundo de cor roxa, onde passa uma linha de alto a baixo (mais tarde ela se revelará como a parede de um estúdio), surge uma frase típica de início de filme: Uma produção “um copo e meio cheio”. Quase que ime- diatamente ouvimos os primeiros acordes de uma música conhecida de Phil Collins “In The Air Tonight”. A câmera, então, desloca-se para a esquerda e o fundo sai de foco ao surgir a face de um animal. Um gorila. Enquanto a música prossegue com Phil Collins cantando, vários cortes de cena são feitos, ora se aproximando ora se afastando da face do gorila. Ele parece ausente da presença da câmera que, ao se afastar para mostrar, finalmente, o ambiente, revela que o gorila está sentado com uma bateria montada à sua frente. No momento certo da música, quando Collins inicia o solo de bateria, ele o “imita”no desempenho do instrumento de per- cussão, exatamente como o baterista e cantor da antiga banda Genesis. Acontece uma fusão para um fundo roxo total onde surge a embalagem do chocolate da Cadbury, que ainda recebe uma pequena animação dos dois copos de leite que ao derramar seu conteúdo compõe a marca do produto – o chocolate. Por que esse filme publicitário de um minuto conquistou o grande prêmio de uma mostra que representa o que foi de melhor realizado pela criação publicitária mundial em 2007? Para as possíveis razões desse fato, vamos nos servir de várias aborda- gens... Conforme Kellner, “A dife- rença vende. O capitalismo deve estar constantemente multiplicando mercados, estilos, novidades e produ- tos para continuar absorvendo os consumidores para as suas práticas e estilos de vida”. A diferença que podemos divisar encontra-se na forma do filme em questão. Em nenhum momento faz-se qualquer alusão ao produto, suas características ou benefícios. Chega-se também à conclusão de que o gorila não come o chocolate para dar energia, abordagem criativa já explorada no passado por outros concorrentes. Porém, o filme pu- blicitário, como qualquer outra obra cinematográfica com estrutura nar- rativa formal, leva a uma conclusão. E a conclusão singela vem com o último plano, onde se lê: “Um copo e meio cheio de alegria”. A alegria que se traduz em diversão, ou en- tretenimento, representa a estratégia criativa utilizada pelo criador do comercial, Juan Cabral. 1 2 3 7 8 9 JUAN CABRAL Divulgação

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