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Gorilla - a ontogênese de um Grand Prix 108 R E V I S T A D A E S P M – SETEMBRO / OUTUBRO DE 2008 O comercial representa uma reno- vação, ouatéuma revolução. “Quando se trata de compreender as revoluções intelectuais ou artísticas é preciso ter emmente que a autonomia do campo de produção é uma autonomia parcial que não exclui a dependência: as revoluções específicas, que perturbam as relações de força no interior de um campo, só são possíveis namedida em que aqueles que importam as novas disposições e querem impor as novas posições encontram, por exemplo, um apoio fora do campo, em públicos novos cujas demandas são ao mesmo tempo expressas e produzidas por eles”(BOURDIEU, 1983). A partir dessas afirmações, podemos vislumbrar Juan Cabral como um autor possivelmente revolucionário e reconhecido dentro de seu campo. Como impacto, sua obra pode influenciar o campo publicitário, tornando-se uma moda usar gorilas músicos. Quanto ao espaço midiáti- co, sua aceitação tem extravasado para além dos possíveis consumi- dores do chocolate Cadbury, reper- cutindo entre vários segmentos da população mundial, ultrapassando a fronteira da Inglaterra onde o comercial foi veiculado no final de agosto de 2007, na final do Big Brother local. Em quatro dias, o comercial, em sua versão ampliada, foi assistido por 58.000 domicílios no site da Cadbury. Essas versões foram feitas, reeditando a trilha musical, colocando outros rocks clássicos como “Smoke on the Wa- ter” do grupo Deep Purple. Muitas outras versões surgiram parodiando o comercial. O que pode ser visto como uma apropriação e ressignifi- cação por parte do consumidor. É interessante frisar que o plano do produto (pack-shot), que finaliza o comercial, propriamente dito, foi editado por quem o colocou no Youtube. Ou seja, foi retirado o produto (e não o macaco, como reza uma velha estória do meio*). Por outro lado, a música de Phill Collins voltou ao topo das paradas londrinas de singles , e foi uma das músicas mais baixadas na internet no Reino Unido nas semanas poste- riores à veiculação do comercial. É INTERESSANTE FRISAR QUE O PLANODOPRODUTO (PACK-SHOT), QUE FINALIZA O COMERCIAL, PRO- PRIAMENTEDITO, FOI EDITADOPOR QUEM O COLOCOU NOYOUTUBE. OUSEJA, FOI RETIRADOOPRODUTO (E NÃO O MACACO, COMO REZA UMAVELHA ESTÓRIA DOMEIO). Anuário do Clube de Criação de São Paulo de 1981.
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