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Mesa- Redonda 114 R E V I S T A D A E S P M – SETEMBRO / OUTUBRO DE 2008 GRACIOSO – Evidentemente, um exagero. CLÁUDIA – Há que lembrar de um aspecto, de certo modo, histórico. Houve a moda antes dos anos 50, antes da Segunda Guerra e depois; durante séculos a moda era, na verdade, uma diferenciação, in- clusive de classe social, ou seja, o modo de vestir definia a classe, o país, a cultura à qual eu perten- cia. Depois dos anos 50, quando a sociedade de consumo passa a exigir que as pessoas tenham uma demanda diferente a cada semana, porque o mercado tem de girar, numa velocidade cada vez maior, a moda torna-se o catalisador desse movimento. A meu ver, a revista é o veículo mais relevante para falar de moda porque é pre- ciso olhar detalhes, prestar aten- ção na dobra, na cor, na textura, é melhor do que televisão, rádio, e também é melhor do que o jornal, porque o papel do jornal não é tão bom. As revistas criam diferentes modas, a partir de tendências que hoje são globais. A partir dessas tendências “macro”, criam-se demandas específicas: é a tribo da Harley-Davidson, é a galera da noite, é a moçada adolescente... Essas “pequenas modas” criam-se em grande velocidade. A própria CLÁUDIA – 54 ou 55, porque há uma nova revista, que será lançada esta semana... JRWP – Até há pouco tempo o Brasil era um país de uma mídia, todo mundo assistia à TV Globo – e agora quantos canais temos? PAULO – Pense quantos têm de internet... JRWP – Potencialmente, pelo menos. Trata-se, de certo modo, do que aquele físico americano, Chris Anderson, escreveu: A cauda longa . O que ele diz – acho até que com certo cinismo – é que a população cresceu, tornou-se mais rica, então você pode ganhar dinheiro com pequenos nichos. Não é, necessariamente, uma de- mocratização. MÁRIO – É lindo o que vocês estão falando, no sentido de que todas as pessoas estão sendo individuali- zadas. Quer dizer, estamos conse- guindo pegar algo que era extrema- “O CONSUMO PODE DAR SINAIS SOBRE O CARÁTER DE UMA PESSOA?” novela tem um papel importante nisso, mais forte no passado, agora um pouco menos mas é comum uma novela de sucesso lançar moda, e acabamos vendo pessoas de classe social de A a D usar as mesmas coisas, algo que, há cem anos, seria inconcebível. As pes- soas falam de “padronização da moda”, e, de fato, acontece. Não existe mais uma moda única, mas existem momentos e fenômenos. Lembro-me da famosa novela “Dancing Days” com a meia de lurex que a Marilia Carneiro inven- tou, de um camelô e que virou um happening no país inteiro, e foi só no Brasil. Isso ainda se repete em algumas situações, por causa de um filme, por causa da televisão, é um dos raros momentos em que a moda passa a ser homogênea ou que todos seguem o mesmo caminho. Mas eu concordo com o Paulo, em que, cada vez mais, a moda é segmentada. JRWP – Você representa um seg- mento da mídia – as revistas – que pode ser considerado como ex- tremamente plural. Quantos títulos a Editora Abril tem?

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