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Território de luxo 40 R E V I S T A D A E S P M – SETEMBRO / OUTUBRO DE 2008 Oconsumo, emespecial oconsumode marcas de moda categorizadas como luxo (como Chanel, Hermés, Balen- ciaga,Valentino), constitui umobjetode análise antropológica cada vezmais in- vestigado,devidoaoseupapelenquanto estruturador de valores que constroem identidades, regulam relações sociais, definem mapas culturais (Mary Dou- glas, 2006), uma amálgama que reúne os membros de um grupo em torno das significações compartilhadas por meio dos objetos consumidos. Assim, o consumo do luxo torna-se uma seara para se pensar os valores que agregam os indivíduosquepartilhamdessegrupo consumidor eanalisar acosmologiaem torno da aquisição e uso dos bens. O conceito de bens enquanto marca- dores deposições sociais, desenvolvido por Mary Douglas na obra “O mundo dos bens” (2006) é aqui utilizado para se pensar o luxo como um elemento de construção de marcas visíveis que definem um grupo, o delimitam em dimensões geográficas e simbólicas, atuandocomo“cercasoupontes”eque se utilizam de uma gama de critérios distintivos não apenas de objetos, mas de disposições para o gosto e aptidões específicas (vide Bourdieu, 1983), que caracterizam esse grupo, neste caso, grupos de consumidores de luxo. Podemos pensar o luxo como uma categoria que se estende a diferentes grupos consumidores, das classes mais abastadas até as menos privilegiadas, pois este converte-se numa atribuição devalordeexcesso, quemarcaadivisão entreclasses, promoveahierarquização e define papéis sociais (Lipovetsky, 2005), consolidando esferas de poder entre comunidades. Existem elementos quecaracterizamo luxona formadees- Ads By Google tilos de penteado afro em favelas como aRocinha, esmaltes eornamentaçãode unhasquediferenciamgruposdefunkei- ras na periferia do Rio de Janeiro, assim como os patches “de luxo” importados que ornamentam as jaquetas de couro de roqueiros na Galeria 24 demaio em SãoPauloeestabelecemahierarquiade certos indivíduos no grupo. Contudo, a categoria luxo, aqui in- vestigada, atém-se, inicialmente, ao consumodos objetos consensualmente reconhecidos pelo grande mercado e classes dominantes como luxo de
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