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Entrevista 48 R E V I S T A D A E S P M – SETEMBRO / OUTUBRO DE 2008 que eles estão deixando de lado a melhor parte. Certa vez, fiz um jantar em frente ao Skype, com pessoas que estavam emWashington, fisicamente distantes. Tal fato ainda me causa um certo arrepio. JRWP – E que dizer dos idiomas? Eles serão obrigados a falar uma língua única, para se comunicar com amigos distantes. Você e eu falamos inglês, ainda que esta não seja a sua língua materna, tam- pouco a minha. O inglês substituiu o latim e, provavelmente, seguirá a mesma trajetória. DERRICK – Quem sabe? O inglês será, um dia, uma língua morta. Mas isto vai levar tempo, mesmo para eles. Sabe, o chinês está muito presente, o português também e o espanhol. Todos estes idiomas fazem parte da internet mas, ainda assim, forçosamente, necessita-se de uma língua internacional. Além disso, inglês é fácil de aprender. JRWP – Na sua opinião, qual será a influência deste fato na vida das pessoas? DERRICK – A coisa de que mais me recordo de São Paulo, na minha primeira vinda, em 1973, foi um anúncio gigantesco, num prédio altíssimo, que dava para ver de tudo quanto é canto, e dizia: “Isso é que é”. O que “isso é que é” significa em inglês? JRWP – Que “Coca-cola is the real thing 2” . DERRICK – Dizer que is the real thing foi uma tradução extrema- “TODO MEIO DE COMUNICAÇÃO PODEROSO MUDA AS COISAS.” DERRICK – Estava brincando. De fato, acho que conheço uns cem. JRWP – Isto é interessante. Agora, pelo chat no MSN, na internet, orkut, muita gente jovem deve ter mais de duzentos amigos, talvez trezentos, quatrocentos ou quinhentos... DERRICK – Sim. Até os políticos têm-se servido da internet. JRWP – Como são influenciados os estilos de vida em virtude, digamos, destes jovens com seus duzentos amigos, dos quais metade, pelo menos, encontra-se a milhares de milhas de distância? DERRICK – Que sei? O conheci- mento real que estes jovens têm de geografia está mais relacionado à Wikipédia do que ao que apren- deram ou memorizaram. Disto, não duvidamos, não é mesmo? Mas imaginemos que, por algummotivo, eles precisem estabelecer algum tipo de vínculo com algum país. Esta seria uma maneira ultra-ágil para descobrir tudo o que precisam saber e descartar o resto. Para eles, é a coisa mais natural do mundo se ligar a qualquer pessoa do planeta. Eu, até hoje, sinto-me extremamente espantado, sempre que consigo me vincular com alguém extremamente distante, pelo Skype. Para eles, isto não é nada. Ainda assim, considero Divulgação

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