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Derrick de Kerckhove 51 SETEMBRO / OUTUBRO DE 2008 – R E V I S T A D A E S P M e os candidatos a prefeito estãoprome- tendo para São Paulo... DERRICK – Se os governos se mos- trassem responsáveis quanto ao cresci- mento econômico (e penso que o Brasil temmostrado extrema seriedade quanto a esta questão), seria a primeira coisa que eu faria. Dariamáxima aten- ção aos locais em que necessitam de open-wiring, especialmente para o turismo, para as pessoas que vêm ao Brasil. Se quiserem acelerar o ritmo de visitantes do exterior, não apenas o turismo interno, é muito importante. JRWP – Não acho que as grandes ope- radoras de telefonia, em nosso país, vêem isso com bons olhos. DERRICK – Elas são “os ladrões das vias aéreas”. JRWP – Esta é uma boa maneira de enfocar a questão. Mas você acha que as minorias poderão ser mais ouvidas através dos nossos meios de comunicação? Você acha que esta é uma tendência positiva? DERRICK – Os meios de comuni- cação de massas estão ultrapassados, acabados. Ainda serão usados para compartilhar uma certa condição psicológica, as pessoas continuarão precisando de televisão e rádio, mas os meios de comunicação de massas como prevalentes e dominadores dos assuntos culturais estão acabados, ex- tintos. O acesso personificado criou a culturapersonalizada, graças à internet. É uma boa pergunta, mas é reflexo do seguinte: ao interagirmos com as nos- sas respectivas telas de computadores, telefones etc., estamos, nestemomento, refletindo.Talveznão sejauma reflexão interior, mas é um pensamento exter- nalizado. O processo já mudou. Este poder de reflexão é multiplicado pelo poder de imprimir, publicar artigos virtualmente, no caso. Todo mundo está escrevendo alguma mensagem e colocando-a na sua garrafinha a ser lançada no oceano. Só que agora, o oceano todo lêoque está escrito.Todos fazem parte consciente e constante de umambientedecunho informativo.De tal sorte que, como já ocorreu antes, com o índio no Brasil, como existem associações indígenas emvários locais do mundo, estão todos se comuni- cando pela internet. Eu te darei outro exemplo. Em2003, fui aGenebra para preparar dois encontros queocorreriam naTunísia, grandes eventos sobre as so- ciedades da comunicação. Lá, o chefe de uma triboNavajome deu uma jóia, na verdade, esta aqui: um pen drive (USB), com512megas dememória (só começamos a falar em gigabytes em 2005). Havia, dentro, os Web War- riors, gravado. Ele havia descoberto, emprol de sua comunidade indígena, que lhes fora facultado usar a internet para se comunicar diretamente como restante do mundo e venderem suas jóias, ao invés de deixar 80% nas mãos dos intermediários. Este é um exemplo excepcional: o retrato per- feito de um índio extraindo enormes vantagens da internet e ultrapassando os meios tradicionais das mídias tele- visivas de massa, a guerra do Iraque etc., e o controle sobre os negócios. Isto me parece extremamente posi- tivo e importante. JRWP – E o que isto tem a ver com estilo de vida? DERRICK –Tudo é estilo de vida. Parte de você encontra-se em determinado local, aomesmo tempovocê temaces- so, ultra-rapidamente, a outras coisas – a informações da maior relevância. A pessoa se sente mais autoconfiante e mais globalizada. JRWP – Elas não poderão sentir-se um pouco perdidas? DERRICK – As crianças certa- mente não. JRWP – Tenho uma amiga que é ar- quiteta e diz que coloca “tocas” em todas as casas que constrói; pequenas cavernas nas casas ou apartamentos. “OSMEIOSDECOMUNICAÇÃODEMASSAS ESTÃO ULTRAPASSADOS, ACABADOS.” Google images
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