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Indústria da moda de luxo 60 R E V I S T A D A E S P M – SETEMBRO / OUTUBRO DE 2008 BIBLIOGRAFIA trias criativas em decorrência do crescente peso que desempenham no conjunto da economia mundial e pelo fato de representarem uma importante estratégia de desenvolvi- mento sustentável para algumas das maiores cidades do mundo, onde se concentra a maior parte da produção da economia criativa. Nesse âmbito, a indústria da moda vem se dire- cionando para os campos mais dinâmicos da economia moderna, sendo responsável por, aproxi- madamente, 3% do PIB brasileiro, segundo a Associação Brasileira de Indústria Têxtil. No Brasil, suas duas cidades mais importantes concentram a produção da moda destinada às classes mais altas, exigentes de produtos com qualidade, diversificação e car- regados de conteúdos simbólicos. Na verdade, verifica-se um padrão espacial bastante interessante de dis- tribuição dos produtores de vestuário no Brasil e no mundo, de modo que, quanto maior for a padronização do processo produtivo, maior será a procura do produtor por localidades de reduzido custo da mão-de-obra, ao passo que as firmas produtoras de bens de luxo tendem a se localizar nos grandes centros urbanos, sobre- tudo de países desenvolvidos. Na verdade, mesmo com o avanço dos meios de transporte e de tele- comunicações, as grandes cidades continuam a desempenhar papel central na produção de bens, cujos conteúdos são intensivos em cria- tividade, inovação, conhecimento e valores estéticos e simbólicos. Ou seja, a dispersão das atividades produtivas pode ocorrer em etapas da cadeia produtiva que sejam mais padronizadas e que exijam menos habilidades dos trabalhadores. Em contrapartida, as atividades de alto nível resistirão à dispersão, pois de- pendem das externalidades positivas geradas pela aglomeração espacial. A indústria da moda de luxo, portanto, adota a estratégia de se localizar em grandes cidades, pois somente nelas encontra as condições fundamentais para se re- produzir. Nesse sentido, identificar quais são essas condições e discutir formas de mobilizá-las são pré- requisitos de um plano estratégico que visa a garantir para as empre- sas brasileiras uma maior fatia do mercado interno e externo. Por esse raciocínio, a cidade passa a desempenhar papel decisivo na competitividade das empresas, for- talecendo-as na medida em que se oferece como um campo de cria- tividade e inovação, cujas bases de construção ocorrem coletivamente, em decorrência das redes de firmas e da grande quantidade de braços e de interesses que se misturamdurante os processos de concepção, elaboração e finalização (Scott, 2000). CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste artigo identificamos que os bens da indústria da moda de luxo são carregados de um alto valor sim- bólico, que, por sua vez, influencia, diretamente, a construção do gosto individual, na medida em que ga- rante a diferenciação desejada pelo consumidor. Em seguida, discutimos que a necessidade dos produtores de moda de luxo de estarem sempre oferecendo produtos diferenciados exige deles um permanente processo de inovação que se alcança por meio da estratégia locacional de se instalarem em grandes cidades, as quais se oferecem como campo de criatividade e inovação. Nesse sentido, reconhecendo que as cidades de Rio e São Paulo, sobre- tudo a última, concentram a maior parte da indústria da moda de luxo no Brasil, uma importante estratégia para que o setor aumente sua fatia de mercado consiste na implementação de políticas públicas potencializado- ras da capacidade criativa e inova- dora destas cidades. BOURDIEU , Pierre - A economia das trocas simbólicas - São Paulo: Editora Perspectiva, 1992. BOURDIEU , Pierre - La distinction: critique sociale du jugement - Paris: Minuit, 1979. LEWIS , Justin - Art, culture & enterprise: the politics of art and cultural industries - Londres: Routledge, 1990. MARTINS , Rodrigo - Papai Noel veste Prada. IN: Revista Carta Capital, ano XIII, n o 425, 27 de dezembro de 2006. p.6-7. REIS , Ana Carla Fonseca - A economia da cultura e desenvolvimento sustentável: o calei- doscópio da cultura - Barueri: Manole, 2007. SÁ EARP , Fabio - Problemas e alternativas. IN: SÁ EARP (org.) . Pão e circo: fronteiras e perspectivas da economia do entreteni- mento - Rio de Janeiro: Palavra e Imagem, 2002. p. 41-71. SCOTT , Allen J. - The cultural economy of citi- es - Londres: Sage, 2000. JOÃO LUIZ DE FIGUEIREDO SILVA Doutorando, Mestre em Geografia e Economista pela UFRJ; e Geógrafo pela UERJ. Professor da disciplina Economia e Entretenimento da Faculdade de Administração da ESPM. ES PM
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