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Veste e moda 68 R E V I S T A D A E S P M – SETEMBRO / OUTUBRO DE 2008 A sazonalidade da moda exprime igualmente a defesa do corpo contra as agressões climáticas: roupas leves no verão, quentes no inverno. Cobrir o corpo, como quer San- to Agostinho, também significa honrá-lo: “Há motivo para se entender a veste como honra, pois cobre a nudez” 3 . Nesse sentido, a veste enfatiza a be- leza do corpo, imitando a natureza, onde tudo o que é bom é igualmente belo. Ambrósio de Milão propõe que Deus primeiro criou a terra e depois cobriu-a com a beleza da vegetação, como que com uma veste: A bela Judite, com o intuito de seduzir e matar Holofernes, ini- migo de seu povo, veste-se sun- tuosamente para realçar sua for- mosura: “... lavou-se, ungiu-se com ótimo perfume, penteou os cabelos, colo- cou na cabeça o turbante e vestiu a roupa de festa”... “Calçou sandálias nos pés, colocou colares, braceletes, anéis, brincos, todas as suas jóias, embelezando-se a fim de seduzir os homens que a vissem” 5 . Mas, para além da nudez física, existe uma nudez psíquica, que tam- bém precisa ser coberta. Ao vestir- se de folhas, (“Então abriram-se os olhos dos dois e perceberam que estavam nus; entrelaçaram folhas de figueira e se cingiram”, Gn 3, 7), o arquetípico casal estava buscando também seguranças psíquicas que o defendessem da morte do eu, mais temível certamente do que a física. “Como, pois, eu poderia descrever as violetas purpúreas, os lírios brancos, as rosas rutilantes; os campos coloridos de flores ora douradas, ora matizadas, ora amarelas, nos quais não consegues saber se é mais agradável a beleza das flores ou a intensidade do perfume?” 4 Santo Agostinho de Hipona - Sandro Botticelli Ilker
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