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A juventude indígena 84 R E V I S T A D A E S P M – SETEMBRO / OUTUBRO DE 2008 onheci Marcos Terena há uns dez anos, durante um encontro internacional em Salvador, e impressionou-me a desenvoltura – quase eloqüência – comque falava à platéiamulticultural sobre a visão do seu povo acerca de alguns dos problemas vitais com que se defrontava a humanidade (eaindaenfrenta). Fiquei aindamais impressionadoquando–numdos intervalos – repreendeu-mepelaminha ignorânciaa respeitodeumadas três grandes etnias constitutivas da nossa identidade, dizendo: -Vocês, brancos, são preguiçosos. Precisamde que um índio, comoeu, aprenda a sua língua, estudenas suas escolas epareça comvocês para explicar-lhes a nossa cultura de um jeito que vocês entendam. De láparacá, nãoaprendi a falar qualquer língua indígenapatrícia,mas passei a interessar-me mais – e a respeitar – as diversidades que fazem (parafraseando DaMatta) do Brasil, Brasil. E também tornei-me amigo de Terena, a quem propus que escrevesse uma matéria para esta edição da Revista, apresentando o seu ponto de vista sobremoda e estilos de vida. Como em outras áreas – pouco sabemos sobre o que pensam a respeito deste assunto (e o que fazem e como vivem) nossos patrícios oriundos dos 230 povos diferentes que já viviam aqui quando chegaram os “estrangeiros” europeus... Marcos Terena foi piloto da FAB, idealizou e organizou a Conferência Mundial dos Povos Indígenas sobre território,meioambiente edesenvolvimentodurante aRio/92e émembrodo Comitê Inter-tribal e da Comissão Brasileira de Justiça e Paz. Desde 2007, dirige o Memorial dos Povos Indígenas, em Brasilia. (JRWP) E OS CAMINHOS ENTRE A JUVENTUDE INDÍGENA TRADIÇÃO E MODERNIDADE C MARCOS TERENA Fotos não creditadas cedidas pelo autor
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