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Marcos Terena 87 SETEMBRO / OUTUBRO DE 2008 – R E V I S T A D A E S P M uso do celular, influências musicais e até a moda, no jeito de se vestir e de se relacionar com outras pessoas. Jovens indígenas comoAnuiáYawalapi- ti, de, aproximadamente, 25anos, toca- dor de flauta tradicional de seu povo e lutador doHuka-huka, é apreciador do reggae e trabalha com saúde indígena naaldeia.NascidoàbeiradoRioXingu, Fala comvozmansa e sempre comum sorriso desconfiado e arisco. “Venho de uma tradição de líderes do Xingú e sei de minha responsabilidade para manter a língua e a tradição, como se fosse minha consciência. Conhe- ci Brasília, acompanhando pessoas doentes e onde tenho alguns amigos”. Anuiá tem clara a beleza da cidade construída por Niemeyer e admira o espaço do Memorial dos Povos Indí- genas, mas fica triste ao ver a riqueza da arquitetura e da modernidade e, ao mesmo tempo, a quantidade de pobres e crianças abandonadas. Com um dos atletas dos Jogos dos Povos Indígenas, sempre que vem a Brasília, participa de saraus musicais improvisados, pois gosta do reggae , onde, às vezes, se apresenta, mas gosta mesmo é de pintar o “Caraíba” com tinta de jenipapo. A última vez que tocou foi quando caiu a primeira chuva emBrasília depois de quase seismeses, na casa do Diretor do Banco Mundial, numa solenidade sobre a proteção amazônica. Sabe usar algumas ferra- mentas da modernidade e se orgulha disso, como o computador, temcelular e não temnenhuma timidez de afirmar que gosta muito de visitar shopping e entrar no Orkut. Deixou de ser um Yawalapiti? “Acho que jamais deixarei de ser um índio, pois mesmo gostando das facilidades dacidade,meu lugar énaminhaaldeia, ANUIÁ YAWALAPITI FALA COM VOZ MANSA E SEMPRE COMUM SORRISO DESCONFIADO E ARISCO. “VENHO DE UMA TRADIÇÃO DE LÍDERES DO XINGÚ E SEI DE MINHA RESPONSA- BILIDADE PARA MANTER A LÍNGUA E A TRADIÇÃO, COMO SE FOSSE MINHA CONSCIÊNCIA. CONHECI BRASÍLIA, ACOMPANHANDO PES- SOAS DOENTES E ONDE TENHO ALGUNS AMIGOS”. ANUIÁ TEM CLARA A BELEZA DA CIDADE CONSTRUÍDA POR NIE- MEYER E ADMIRA O ESPAÇO DO MEMORIAL DOS POVOS INDÍGE- NAS, MAS FICA TRISTE AO VER A RIQUEZA DA ARQUITETURA E DA MODERNIDADE E, AO MESMO TEMPO,AQUANTIDADEDEPOBRES E CRIANÇAS ABANDONADAS. MEMORIAL DOS POVOS INDÍGENAS Fred Camper Henrico Orsi Dohara
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