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A juventude indígena 88 R E V I S T A D A E S P M – SETEMBRO / OUTUBRO DE 2008 onde posso correr, nadar, pescar, caçar e ouvir as histórias do meu Povo; mas quando termina meu trabalho, volto para a aldeia com muita saudade da minha família”. E quanto ao futuro, tem convicção ao afirmar que “o índio não tem de ter medo do futuro, pois é mais uma luta da nossa vida. O importante é não deixar de ser índio, falar nossa língua e proteger nossa terra, pois assim vamos preservar nossa cultura, nossa maloca e nossa família”. Se gostaria de viver na aldeia ou na cidade, já identificou que “a cidade é muito linda, muito diferente da aldeia, mas tem muitos problemas, como a pobreza, o crime, a poluição dos car- ros e a falta de respeito, mas sempre falo que em nossas aldeias começam a chegar algumas dessas coisas, como os madeireiros, os plantadores de soja, as estradas e as hidrelétricas. Tudo isso vai prejudicar nossas aldeias.” Samira Tsibodowapre, 20 anos, filha de mãe Terena e pai Xavante, estuda Nutrição na Universidade Católica e procura valorizar as histórias de cada povoe, aomesmo tempo, praticar duas culturas indígenas distintas. Sabeda sua missãoedasdificuldades edosdesafios para umamulher. Comumbelo sorriso no rosto, foi estampa da campanha por igualdade racial, naeducação, feitapelo MEC e acompanha, como assistente, os Jogos dos Povos Indígenas conhe- cendo as diversas faces e facilidades queascidades impõem, afinal comoela mesmadiz: “estouestudandoNutrição, pois sei que muitas das doenças que chegarão ao meu Povo será devido às mudanças dos hábitos alimentares, às mudanças climáticas e a falta de terra, SAMIRA TSIBODOWAPRE, 20 ANOS, FILHA DE MÃE TERENA E PAI XAVANTE, ESTUDANUTRIÇÃO NA UNIVERSIDADE CATÓLICA E PROCURAVALORIZAR AS HISTÓ- RIAS DE CADA POVO, E, AO MES- MOTEMPO, PRATICARDUASCUL- TURAS INDÍGENAS DISTINTAS. com doenças desconhecidas e que nossos Pajés não curam!” Moradora de Brasília, convive diaria- mente com o meio político e lamenta queoeleitor brasileirocontinueerrando e mandando para o Congresso Na- cional políticos de baixo nível intelec- tual e moral. “Só o povo pode dar um jeito nisso.” Fã de Milton Nascimento, freqüenta shopping e gosta de cinema, mas só para ver bons filmes, como os Dois Filhos de Francisco. Ronan Kezonazokemae, jovem de 19 anos, do Povo Paresi, habitante da região de Tangará da Serra, norte de Mato Grosso, com uma popu- lação de quase três mil indígenas. Sai cedo para estudar, trabalha como auxiliar de enfermagem na Casa do Índio. É de lá que manda seus e-mails e fala de seu Povo, cujo fato mais marcante foi a passagem, pela primeira vez, na história dos Jogos Pan-americanos, de uma To- cha Olímpica. Annavs

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