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Adriano Maluf Amui 93 SETEMBRO / OUTUBRO DE 2008 – R E V I S T A D A E S P M uando o primeiro iPod surgiu, em meados de 2001, outros tocadores digitais já existiam, mas o produto se tornou um fenômeno de consumo por conta de um conceito simples: 1.000 músicas no seu bolso. Ok, a interface bem pensada, o design primoroso e, mais tarde, e só para os norte-americanos, a dobradinha com a loja iTunes trouxe uma verdadeira revolução na forma como as pessoas consumiam música. Mas o maior mérito mesmo foi fazer um produto tecnológico ser ‘fashion’, porque até então, qualquer coisa com chips de memória e HDs tinham o sex appeal de um grampeador. A revolução trazida por este genial produto trouxe ainda a milhões de usuários uma aura de sofisticação impossível com qualquer outro dispositivo. Não dá para possuir um iPod ou um iPhone sem emanar um quê de descolado. De que forma isso se relaciona com moda e estilo de vida, a relação entre elas e que lições podemos tirar disso? Se conceituarmos a moda como uma tendência de consumo vigente, e o estilo como o conjunto de re- lações, usos, valores e costumes de determinados grupos, a dupla iPod- iPhone dispõe de inúmeros atributos que tornam estes devices exemplos, tanto de moda como de estilo. Sim, porque o design icônico deles é reconhecido à distância. E porque a posse e uso de um modelo da marca pressupõe um bom nível financeiro, já que tocador por tocador, existem N outros modelos mais baratos; e consumo seletivo demúsicas e vídeos, de coisas fora do mainstream , pois ‘descolados’, sempre buscam bandas novas, cruzam referências, garimpam na internet e assim por diante. É aí que começam as divergências. Se é verdade que o preço dos iPods no Brasil é um filtro de público, o mesmo não se aplica quanto aos hábitos e comportamento de seus usuários no País. Podemos dizer com razoável segurança que 90% ou mais dessas pessoas sequer têm noção das funcio- nalidades do aparelho. Poucos usam ou compartilham playlists e é baixo o acesso a podcasts, programas de áudio disponíveis em MP3, e que trazem música, conteúdo noticioso, analítico e até de marketing, podendo ser ouvidos na conveniência do usuário. A principal razão disso é a limitação da capacidade de compreensão tecnoló- gica desses usuários e a impaciência, o que levou até mesmo à criação da bizarra figura dos ‘personal ipodders’, gente contratada para... ripar coleções deCDseorganizar coleçõesdemúsicas com um mínimo de coerência. Po- demos argumentar aindaqueo iPodeo iPhonenoBrasilpadecemdalimitaçãoà loja iTunesgringa, pois sóconsumidores com domicílio nos EUA podem com- prarmúsicas evídeos. Ficamos alijados, portanto, de outra inovação criada pela empresa de Steve Jobs: o consumo de música por canção, e não por álbum. Sim, porque quem acessa a iTunes pode comprar duas ou três canções de sua banda favorita, enquanto quem compraumálbuminteiropaga também por umas oito ou nove outras músicas feitas sóparapreencher umabolachade plástico com 72 minutos de som. Q QUANDO O PRIMEIRO IPOD SURGIU, EM MEADOS DE 2001, OUTROS TOCADORES DIGITAIS JÁ EXISTIAM, MAS O PRODUTO SE TORNOU UM FENÔMENO DE CONSUMO POR CONTA DE UM CONCEITO SIMPLES: 1.000 MÚSICAS NO SEU BOLSO. 100 millions iPods sold. Thank’s to music lovers everywhere. Foto: divulgação Ads By Google

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