Revista da ESPM_JAN-FEV-2012
R e v i s t a d a E S P M – s e t e m b r o / o u t u b r o d e 2 0 1 1 72 } A pós-modernidade prega o individualismo, o que transforma a própria religião em uma questão privada. ~ E N T R E V I S T A dos 50%. Perigoso porque abaixo disso já não é mais a igreja majoritária. São várias as razões para essa queda, mas talvez a principal seja a pós-modernidade, porque isso não ocorre só no Brasil. Grandes países estão enfrentando o mesmo pro- blema. O que os dirigentes católicos, como o senhor, acham que pode ser feito para estancar esta sangria? PE. CHRISTIAN –Quando uma pessoa se declara católica é porque foi batizada. É aí que temos de repensar o modelo. Estamos mexendo com números, mas o que conta é o número ou a qualidade do produto? Se perguntarmos aos nossos políticos qual a religião deles, a maioria dirá que é católica. Existe a bancada evangélica, que não está muito segura se vai responder católica ou evangélica. A maioria desses políticos estudou em escolas jesuítas, salesianas, maristas. São católicos que estão fazendo baderna lá no Governo. Então, o que significa ser católico, ser cristão? Do total de católicos no País, entre 5% a 10% são aqueles que são comprometidos e têm um compromis- so com a religião. Isso para mim é estatística, não quer dizer nada. Todos estão pensando que no Censo de 2011 a religião que mais vai crescer é a evangélica. Os números ainda não foram divulgados, mas parece que ela está estagnada, enquanto aumenta o número de espíritas e ateus. Existe toda uma discussão sobre a religião e seus representantes. Nesse sentido, quando se fala hoje em pedofilia e pa- dres que roubam, é preciso considerar que eles são humanos. Mas o que é mais importante: o padre ou o evangelho a Jesus Cristo? Essa é a confusão que faz com que as pessoas deixem as igrejas por causa de seus representantes e não estou falando somente da católica. Essa é uma questão importante: não é o número que conta, mas o testemunho. ISMAEL – Já que nosso tema é marketing, gostaria de ouvir sua opinião sobre as estratégias de três grandes grupos: os católicos, os evangélicos – pentecostais, neopentecostais e tradicionais – e as reli- giões espiritualistas. Cada um deles vem se utilizando de umdiscurso e uma técnica de abordagem. O senhor consegue iden- tificar quais são essas técnicas e de que maneira essas abordagens acontecem? PE. CHRISTIAN – Atualmente, a mídia é a palavra-chave. Os evangélicos começaram e hoje existem três, quatro canais de televisão. GRACIOSO – A Rede Vida tem um bom trabalho. PE. CHRISTIAN – Tem também a Casa Nova, do Vale do Paraíba, e a TV Aparecida, que está se destacando com um bom trabalho. Mas quem está assistindo a esses canais? Co- nheço padres da igreja católica que passam a noite em frente à televisão. Hoje, o negócio } Existem religiões em que a maneira de vivenciá-las nada tem a ver com um projeto de vida, é somente sensação. ~ j a n i r o / f e v e r e i r o d e 2 0 1 2
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