Revista da ESPM

março / abril de 2011 – R E V I S T A D A E S P M 83 } China, Índia e Rússia têm condições piores que as do Brasil, mas ainda estamos muito atrasados em nível de estrutura. ~ dante, deveria ter certa vantagem comparativa. Temos uma infraes- trutura precária, mas melhor que a da Índia, cujo setor dinâmico é a área de serviços, de telecomunica- ções – um setor que prescinde em grande medida de infraestrutura física pesada. Temos uma série de questões a resolver. E não adianta ficar falando mal da China por causa da i nvasão de produtos chineses. Incidentalmente essa invasão não se dá apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. Temos é de criar condições para que o Brasil possa utilizar plenamente suas potencialidades e características. SÉRGIO – Quando se elencam os problemas, algo que sempre vem à tona é a estrutura fiscal. Há trinta anos ouço falar de reformas tributárias no Brasil. Por que essa questão impede esse avanço do País em uma velocidade maior? IVES – Essa é uma das questões, mas podemos apontar pelo menos cinco causas. Concordo que não podemos ser tão pessimistas. Do ponto de vista de condições, em médio e longo prazos, as nossas são muito melhores do que as da China, que tem cumulação e con- dições climáticas ambientais pio- res que as do Brasil. A Índia é um país com um bilhão de habitantes e um elevado nível de pobreza, com problemas que vêm de milhares de anos. Por exemplo, a Lei dos Intocáveis, em que a casta mais pobre é considerada intocável, foi revogada em 1935, mas continua existindo. O ponto positivo da Índia é a docilidade do povo, que faci l ita o desenvolv imento da área de serviços. Já a Rússia é um país que precisa solucionar uma série de problemas de condução política e empresarial, além do que g rande pa r te da reg ião é um deserto gelado. No Brasil, o problema é que estamos atrasa- dos em tecnologia. Mas estamos entrando num mundo no qual os segredos dos avanços tecnológicos serão cada vez mais segredos de polichinelo, porque os “hackers” vão crescendo. Hoje, uma criança de cinco anos de idade manipula o computador melhor do que nós. Isso representa a entrada das tec- nologias em um ambiente no qual os próprios sistemas de segurança praticamente inexistem. Então, um país pode, em cinco ou dez anos, dar um salto de qualidade, apesar de estar atrasadíssimo. Graças a isso acredito que o Brasil pode avançar. Temos cinco problemas monumenta is. O pr imei ro é o nosso sistema tr ibutár io, feito por uma Federação que não cabe dentro do PIB. Temos uma carga tributária que é quase o dobro da carga da China, bem maior que a da Rússia e maior até que a dos Es- tados Unidos e Japão. Isso porque criamos uma Federação maior do que o PIB, colocamos os municí- pios como entidades federativas − temos mais de cinco mil entidades federativas. Nos Estados Unidos só há os Estados – os municípios são figuras vinculadas ao Estado. Aqui, cada município tem uma au- tonomia, um peso, uma constitui- ção e tudo isso exige um sistema

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