Revista da ESPM

R E V I S T A D A E S P M – março / abril de 2011 84 } Na percepção dos investidores, o Brasil é visto como um grande consumidor e é justamente aí que os problemas começam. ~ tributário para sustentar. Temos o IPI, ICMS, ISS, CIDE, COFINS e PIS por causa dessa estrutura tri- butária que precisa atender a três esferas de uma Federação que não sabe onde pisa, uma burocracia que se autoalimenta por influência dos integradores de poder. Hoje, as reformas não saem porque a própria burocracia é contrária. Os políticos, evidentemente, não têm força para entender aquilo que está acontecendo e passam a ter seus interesses garantidos pela própria burocracia dos geradores do poder. O ex-ministro Ozires Silva fez um levantamento de grande parte dos países do mundo no quesito tribu- to da educação. No Brasil, como o Estado dá uma má educação, o setor privado entra no meio e nós tributamos a educação. Institui- ções clássicas são tributadas por- que eles acham que aí podem gerar receitas para cobrir aquilo que não recebem com a carga tributária. No momento em que tributo a edu- cação, reduzo o nível de remune- ração adequada dos professores e aumento o custo para o aluno, que tem de pagar um estudo particular. Nossa educação não vai evoluir porque vamos continuar tribu- tando, sem perceber que o maior prejudicado é o aluno. Já foi falado no problema trabalhista, que o País tem um dos maiores encargos e poucos investimentos nas áreas de tecnologia e ciências por parte do governo. Mas a Constituição tem todo um capítulo dedicado à Ciência e Tecnologia na ordem social. Se analisarmos aqueles projetos que deveriam ser realiza- dos com financiamentos públicos, vamos verificar que, para se fazer qualquer projeto, a burocracia para obter a aprovação é de tal ordem que chega a ser desestimulante e cada um resolve fazer por si mes- mo. Como disse, China, Índia e Rússia têm condições piores que as do Brasil, mas ainda estamos muito atrasados em nível de es- trutura. Estou otimista, porque sei que temos mais condições, além de uma população menor. Recentemente, escrevi o livro Cri- se financeira internacional , com os professores Fernando Alexandre, Pedro Bação, Paulo Rabello de Castro e João de Sousa Andrade, que fala sobre a crise de 2009 e é editado pela Universidade de Coimbra. A obra analisa o nosso sistema financeiro, no qual grande parte dos títulos são lastreados em títulos públicos. Como o presiden- te Lula citou, na verdade, a banca brasileira vale o que vale o gover- no. Se o governo der um calote, a banca brasileira acaba, mas isso dá uma certa garantia. Sem mercados externos, os países que estavam com seus mercados praticamente distendidos ao máximo sentiram mais a crise. Quem comprava um carro todo ano, resolveu comprar um carro a cada dois anos. Ainda em expansão, o Brasil substituiu facilmente o mercado externo, e o mercado interno recuperamos com uma banca que não foi atingida. A análise das condições internas de mercado, população e iniciativa empresarial do País indicam que temos mais condições, apesar de estarmos com menos instrumen- tos tecnológicos ou avanços do que os demais países.

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