Revista da ESPM - STE-OUT_2011
R e v i s t a d a E S P M – s e t e m b r o / o u t u b r o d e 2 0 1 1 34 formativas que serão trabalhadas em sala. Pensando nisso, este ar- tigo tem por objetivo discutir a po- derosa influência das emoções no aprendizado e também apresentar algumas estratégias para tirar proveito desse forte aliado que é o estado emocional. Acreditamos firmemente que esse é o caminho mais eficiente para potencializar o aprendizado de nossos alunos, acelerando o domínio de conteú dos e competências complexos. A estrutura do cérebro Para o cientista Steven Pinker (Pinker, 1997), o cérebro humano é um fantástico equipa- mento proveniente do processo prolongado de seleção natural que deu origem à vida neste planeta e que, ao longo do tempo, forjou a es- pécie humana como ela é hoje. Para Pinker, a seleção natural é o único mecanismo capaz de atuar sobre o funcionamento de um órgão, de tal forma que o produto final desse processo possa ser interpretado como sendo o fruto de um propósito específico e não de mero acaso. Em outras palavras, o processo de seleção natural seria “o único que atua sobre o design de um órgão ao longo do tempo” (p. 158). Tomando o olho humano como exemplo, este é composto por tantas pequenas estruturas que realizam o seu papel perfeitamente que pode-se até mesmo pensar que o olho foi desenhado por alguém que sabia o que estava fazendo. Esse foi o pensamento que deu ori- gem, por exemplo, ao mito de Adão e Eva e à criação do mundo por um Deus onipotente. A seleção natural cumpre esse papel ao lon- go de bilhões de anos sem fazer uso de um arquiteto por meio do acúmulo de pequenas mutações, cada uma delas relativamente rara mas ainda assim provável, ao longo de bilhões de anos. Ao final desse processo teremos um ser ou órgão, que parece ter sido projetado com um fim deliberado em mente. O biólogo Richard Dawkins analisa essa questão de ou- tra forma ao afirmar que “A teoria da evolução por seleção natural cumulativa é a única que conhecemos que é, em princípio, capaz de explicar a existência de estruturas complexas organizadas” (GoodReads, 2011). Essa visão do processo evolutivo do cérebro humano é interessante porque nos relembra que, na base da constituição de nossos órgãos de processamento e computação, como Pinker chama os cérebros, estão estruturas antigas, provenientes de estágios evolutivos muito menos avançados, mas que continuam ativas e têm grande impacto sobre nosso comporta- mento e, também, sobre o nosso aprendizado. Como veremos a seguir, essas estruturas primárias do cérebro não são dedicadas ao processamento racional de informações; pelo contrário, suas principais funções são avaliar as respostas emocionais de um indivíduo e mantê-lo vivo. O cérebro humano se desenvolveu de dentro para fora, o que significa que as estruturas mais antigas do cérebro, em termos evolu- tivos, estão localizadas na base e no interior dele. Por outro lado, as estruturas mais recen- tes estão localizadas na superfície do órgão. A (Figura 1) apresenta um esquema simplificado das principais estruturas do cérebro. A parte do cérebro humano mais antiga e primitiva é a que está imediatamente ligada à coluna cervical, o que incluiria até a medula na (Figura 1). Essa região é muitas vezes denomi- nada tronco nervoso, ou tronco cerebral. Acima dele está uma estrutura denominada ponte ( pons ), que liga essa estrutura mais antiga a es- truturas mais recentes, a começar pelo sistema As ciências da comuni- cação têm examinado o papel das emoções nas organizaçõesapartirdas perspectivasdegestores, trabalhadores e até mes- mo clientes.
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