Janeiro_2003 - page 74

Revista da ESPM – Janeiro/Fevereiro de 2003
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“Estamos diante
da realidade de
queoque
precisamos
entender éde
gente.”
tes.Éclaroqueéumaprofissãoque
gera orgulho, é prazerosa. Na ver-
dade, essa é uma visão um pouco
maisampladepesquisa.Masessas
coisas são comandadas pela reali-
dadeenãopor associações, por re-
gras.Amesmacoisaéonegóciode
propaganda, que está cheio de re-
gras, de associações, sempre ten-
tando resgatar, eonegócioemque-
da livre. Por quê? Porque é uma
questãodedinâmicademercado,de
competências estabelecidas e
não
deassociações, órgãos, sindicatos.
Issonão funcionaemnenhumaárea
de negócio.
FT –
Desculpe, Paulo. Você pode
exercera funçãode jornalista?Pode
assinar um balanço contábil, uma
petição legal?Você não pode.
JT –
O que o Paulo está querendo
dizer –eachoque issoseaplicaao
nosso caso – é o seguinte: essas
experiências de cartelizar as rela-
ções, num determinado mercado,
não criam, obrigatoriamente, quali-
dade.
FT
– Também não estou dizendo
isso. Nós precisamos ter uma per-
sonalidade,precisamosser reconhe-
cidos como atividade.
JT –
Isso depende muito do que
consigamosentregar, de fato, como
benefício da nossa atividade. Eu
acho fundamental a integração das
entidades – batalhei muito para a
criação da SBPM. Minha empresa
não é associada à ANEP, nem à
ABIPEME, por uma questão de
posicionamento. Mas acho que a
entidade tem um papel fundamen-
tal. Mas qualidade vem de outras
coisasenãodesseaspectosindical
–ou "associativista" –queaentida-
de possa ter.
PS–
Aprofissãodeestatísticoé re-
gulamentadapor sindicato.Aprofis-
são de jornalista é regulamentada
por sindicato. Emelhorou o quê?
JT –
Os jornalistas mais importan-
tes domercadonão são jornalistas.
PS –
Imagine que a gente tomasse
como exemplo essa pesquisa das
entidades financeiras, feitapelopes-
soal daUSP, e o sindicato determi-
nasse que não pode, por ser uma
fundação da USP. O que iria acon-
tecer? Eles montariam uma
empresinha de pesquisa demerca-
do, registravamnaABIPEMEecon-
tinuariam fazendo.Omercadoéque
tem de amadurecer e definir como
edequemvai compraraspesquisas.
JR –
Acho que são duas as verten-
tesque resultaramnaatividadeque
vocês exercem. Uma – tradicional-
menteexercidapeloEstado–queé
o registrodemográfico, acontagem,
a estatística. Isso tem sido feito pe-
los governos há muito tempo. De-
pois, veio o nascimento da Ciência
Social, comDurkheimeoutros.Sur-
ge uma integração desse conheci-
mento social, do conhecimento psi-
cológico, comportamental, e as
técnicasmatemáticas. É uma coisa
complicada. Não sei como esse ci-
dadão arvorou-se em pesquisador;
parece impossível.Diriaatéquese-
riamais fácil o sujeito posar de pu-
blicitário…
FT –
Você está falando do
Lavareda?Eleépesquisador;antro-
pólogo por formação.
JR–
Mas digamos queéalgodifícil
de improvisar.
Daina –
Há o FOPEC – Fórum de
Pesquisa em Comunicação hoje
que, deuma certa forma, sepropõe
a fazer isso. Ele foi criado há dois
anos exatamente para medir essa
qualidade da pesquisa, fazer esse
equilíbrio, ser um órgão que reúna
tudo isso – pesquisa de mídia,
mercado.
JR –
No Brasil, durantemuito tem-
po, se dizia que as estatísticas não
eram confiáveis – a fornecida pelo
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